Sinopse: Simplesmente por ser vegetariano, Hernán López foi perseguido e virou preso político na província de Santa Fé, no interior da Argentina. Desapontado com seu país natal, seguiu para os Estados Unidos, buscando o sonho americano da completa liberdade de pensamento e expressão.No entanto, em seu exílio, passou por situações inusitadas e desafiadoras. Conheceu as tradições e costumes do budismo, viveu em uma comunidade hippie, juntou-se com uma socialite multimilionária e ainda tentou uma imersão cultural na Ásia, sendo sempre urgente e imprescindível contar com sua presença de espírito para fugir dos constrangimentos e, por vezes, até da morte certa.
Baseado em fatos reais – e com a prosa leve e divertida que lhe é peculiar – o escritor Alexandre Kostolias atravessa as décadas de 1970 a 1990 incursionando sobre o tema da tolerância, das liberdades, das crenças coletivas e suas contradições e, sobretudo, dos excessos de uma sociedade ocidental que se pretende moderna, intelectualmente superior e politicamente correta.
Resenha publicada originalmente no blog Um Oceano de Histórias.
Publicado pela editora Jaguatirica, O exilado político vegetariano é um romance de Alexandre Kostolias inspirado em fatos reais.
Quando a Bru (dona do UOH) me falou sobre esse livro, eu me interessei de cara só pelo título. Eu posso dizer que sigo alguns princípios vegetarianos e tudo que envolve o tema acaba chamando a minha atenção.
Hernán é um jovem argentino com uma vida comum, até que numa manhã qualquer, é capturado pela polícia e levado à delegacia sem explicações. Na delegacia, Hernán formula hipóteses para entender porquê de ter sido preso, mas ele é um bom rapaz e não chega a nenhuma conclusão. Quando finalmente descobre o motivo, fica perplexo. Hernán foi preso por ser vegetariano. E ser vegetariano num lugar onde a pecuária é um grande orgulho para todos não é algo muito positivo.
"Que custa você comer uns bifes de vez em quando e fazer cara alegre, só para agrada aos demais e evitar suspeitas? A sua recusa em comer carne pode, potencialmente, conduzir à perturbação da ordem social. Daí para a perturbação da ordem política é um pequeno passo." (KOSTOLIAS, 2016, p. 48)
Com isso torna-se visível a forte crítica que o autor, Alexandre Kostolias, inicia fazendo em sua obra. Hernán não conseguiria ser ele mesmo naquele lugar, então depois de um acordo feito na delegacia, ele é liberado e decide se exilar na Califórnia. Lá, ele está livre para viver seus princípios. A partir disso, acompanhamos a trajetória de Hernán nos vários lugares pelos quais ele passa, procurando aprender cada vez mais ensinamentos budistas, hinduístas, entre outros.
"O pavor de levar choque com bastão atingia Hernán visceralmente: um dos motivos de suas convicções vegetarianas era o horror que lhe causava só de pensar na forma como os animais são abatidos nos matadouros." (KOSTOLIAS, 2016, p. 33)
A narrativa em terceira pessoa é extremamente bem humorada, tive a impressão de que a história de Hernán é bastante séria, mas a forma como o autor narrou fez com que ela se tornasse descontraída e irônica. Dei muitas risadas, concordei com muito do que li a respeito do vegetarianismo, mas também discordei de alguns pontos. Um exemplo é o fato de eu não simpatizar com a forma com que o autor utiliza o termo “radical” em algumas ocasiões.
"Ótimo, às vezes é melhor não saber das coisas. Aliás, o desconhecimento é uma grande virtude, uma benção dos céus, talvez a maior de todas. Aqueles que ignoram são mais felizes e tem mais esperança." (KOSTOLIAS, 2016, p. 46)
O exilado político vegetariano pode ser classificado como uma aventura real. Hernán é um personagem amável buscando sempre a salvação no surrealismo. Ele conhece uma série de pessoas, costumes e hábitos diferentes. O leitor é convidado a acompanhar alguns detalhes de pessoas que passaram pela sua vida, uma primeira paixão e um amor de verdade, por exemplo, bem como os lugares em que ele viveu – extremamente novos para mim – e uma das coisas que mais chamou a minha atenção é a forma como o autor se preocupou em explicar cada preocupação que Hernán tinha, como o Budismo. Posso dizer que aprendi muito.
O livro é fisicamente muito bonito. A capa é colorida e chamativa. As folhas são amareladas e a fonte tem um bom tamanho e formato. Foi feito, portanto, um belo trabalho visual.
De modo geral, foi uma leitura muito agradável. O exilado político vegetariano é um livro para todos aqueles que querem acompanhar uma aventura real cheia de ensinamentos, uma boa dose de humor e uma bela crítica social.
Referência: KOSTOLIAS, Alexandre. O exilado político vegetariano. Rio de Janeiro: Jaguatirica, 2016.





Oi, Thamiris. Tudo bem? Tenho certeza de que esse livro tem muito a ensinar aquele que o lê, deve ser uma leitura agradável e instrutiva. Adorei sua resenha, parabéns. A capa é bem bonita mesmo, a mesma chama logo a atenção. Um abraço!
ResponderExcluirObrigada, Luciano.
ExcluirSim, é uma leitura mais que recomendada!
Obrigada pela visita.
Um abraço!
Olá Thamiris! O tema é mesmo interessante, mas fiquei com uma dúvida: ele foi preso por ser vegetariano em que ano? Não é possível que algo assim tenha acontecido em dias atuais. Beijo!
ResponderExcluirOi, Maria!
ExcluirO livro se passa entre a década de 1970 até 1990.
Obrigada pelas visitas. ♥
Beijos
Adoro saber que está começando a ter vários livros maravilhosos sobre o tema. Ter sido inspirado em uma história verídica é realmente mais interessante ainda.
ResponderExcluirBeijinhos 😚
É bom né, Ana? ❤
ExcluirBeijocas