segunda-feira, 4 de julho de 2016

Resenha: Orgulho e Preconceito - Jane Austen


Sinopse: Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.



Muitas pessoas sabem da minha relação de amor com Orgulho e Preconceito e o post de hoje é para eu explicar direitinho o motivo de ser tão apaixonada por esse clássico da literatura inglesa. Há muito tempo exclui a resenha (de 2014) que tinha feito aqui no blog pois senti um certo desconforto, achei que estava faltando falar muita coisa sobre a obra. Então, ei-la aqui repostada e editada. Espero que gostem e entendam o motivo de eu ser apaixonada por Orgulho e Preconceito.

***

Em Orgulho e Preconceito passamos a conhecer o preconceito de Elizabeth Bennet e o orgulho de Fitzwilliam Darcy, dois jovens completamente diferentes, que inicialmente não se agradam um com o outro. Elizabeth é bem humorada, humilde e possui características que a situam numa época errada. E o sr. Darcy é um homem presunçoso, rico, crente em costumes e antipático. Ao menos, essas foram as primeiras impressões que ele causou.

Vamos compreender um pouquinho de como tudo começou?

O sr. e a sra. Bennet moram numa aldeia chamada Longbourn e têm cinco filhas. Todas elas já estão com idade para casar. Com isso, a família Bennet recebe a notícia de que o sr. Bingley, um homem agradável e muito simpático chegará a Hertfordshire. Sendo ele um homem rico, a opinião da sra. Bennet é de que ele é um bom sujeito para casar com uma de suas cinco filhas e consequentemente, garantir-lhe um futuro apropriado e digno. 

As irmãs Bennet vão acompanhadas de sua mãe a um baile em Hertfordshire para finalmente conhecer Bingley. Todos os acompanhantes dele são ameigáveis, exceto o sr. Darcy, seu fiel amigo, que de início desperta suspiros por ser muito elegante, ter uma ótima aparência, e é claro, receber dez mil libras por ano. Mas essa essa impressão não durou muito. Logo nos primeiros momentos do baile, o sr. Darcy se mostrou orgulhoso, se achando superior a qualquer um que habitava aquelas redondezas, além de se negar a dançar com qualquer moça que não fosse do seu grupo. Ah, sr. Darcy!

“Eu não teria dificuldade em perdoar o orgulho dele, se ele não tivesse ferido o meu.” 

Conclusão: a noite foi desagradável para o sr. Darcy e qualquer um que tentasse se aproximar dele. O que ninguém esperava era que Darcy e Elizabeth passariam a se encontrar por acaso em várias ocasiões. Desses encontros, um sentimento começa a aflorar dentro de ambos.


A primeira coisa a ser dita: Os personagens de Orgulho e Preconceito possuem as mais variadas personalidades, o que favoreceu e muito a composição da história. Gosto quando existem pessoas diferentes convivendo, ainda mais numa época em que não havia muita liberdade de expressão. O sr. Collins, um primo distante da família Bennet, tem um dos papéis mais irritantes da história, tudo em seu temperamento me incomoda, assim como Lady Catherine e até mesmo a mãe de Elizabeth, a sra. Bennet, que só consegue pensar em pretendentes para as filhas, além de reclamar insistentemente de seus nervos. No entanto, não posso deixar de considerar o fato de que a sra. Bennet também está preocupada com o futuro de suas filhas, porém, isso não justifica o seu temperamento descontrolado e as suas atitudes vergonhosas.

“Creio que há em cada personalidade uma tendência a algum mal particular... Um defeito natural, que nem a melhor educação pode superar.”

E, obviamente, existem personagens maravilhosos pelos quais você só consegue se apaixonar!

O sr. Bennet, pai de Elizabeth, é dono de uma personalidade bem humorada e sarcástica. Ele gostava de zombar de situações ridículas na qual sua esposa o colocava de forma moderada, para seu próprio divertimento. O sr. Bennet é aquele tipo de pessoa que tira proveito de tudo, é como se "tudo bem se não deu certo, valeu como experiência, vamos rir disso no futuro!". Muitas vezes ele não deixava que seus modos transmitissem o que as pessoas esperavam e se gabava por essa “técnica”. Ele é, com toda certa, um dos meus personagens favoritos. Me divertiu muito. 

A tia de Lizzie, a sra. Gardiner, apesar de fazer poucas aparições, tem uma personalidade simpática e amável. Assim como a amiga de Lizzy, Charlotte, e também a irmã Bennet mais velha, Jane. Aliás, a amizade entre as irmãs Elizabeth e Jane é sensível e verdadeira e foi lindamente demonstrada no decorrer dos capítulos. E é claro, há os apaixonáveis Fitzwilliam Darcy e Elizabeth Bennet, que são personagens extremamente interessantes e muito cativantes.

Lizzy é uma heroína. Fonte de inspiração para muitas mulheres. Ela deixa bem claro que prefere ficar solteira pelo resto de sua vida, mas não se casa por interesse. Lizzy é natural, gosta de caminhar, de observar rochas e montanhas, é bem humorada, preocupada com a família, responsável, além de ser uma leitora assídua. Há uma lista longa de adjetivos positivos para descrevê-la.

“Há poucas pessoas que eu ame de verdade, e menos pessoas ainda de que eu tenha boa opinião. Quanto mais conheço o mundo, mais me sinto insatisfeita com ele; e a cada dia se confirma a minha crença na incoerência de toda personalidade humana, e na pouca confiança que podemos depositar na aparência de mérito ou de razão.”

E o sr. Darcy, por sua vez, é... O sr. Darcy! (haha) Adoro a forma como ele evolui ao longo das páginas do livro. Mesmo sendo um adulto formado e rico, Darcy tem muito o que aprender e de fato aprende. Ele é fechado, mas não por ser arrogante, e sim, por não conseguir conversar com tanta facilidade com pessoas que não conhece. Darcy, com calma, vai nos mostrando que há nele muitas características que nos fazem amá-lo.

“Certamente não tenho o talento que certas pessoas têm de conversar desembaraçadamente com pessoas que nunca vi antes. Não consigo entrar no ritmo da conversa ou parecer interessado nos problemas delas, como muitas vezes vi fazerem.”

A primeira leitura que fiz de Orgulho e Preconceito, confesso, não simpatizei com a história desde o início. Na verdade, eu estava pensando em abandoná-lo, mas não o fiz, continuei lendo. Eis que chegou um momento que eu não conseguia mais parar de ler. E foi assim que me apaixonei pela história. Depois da primeira, li mais duas vezes e pretendo reler muitas outras. A cada leitura, me concentro num ponto novo que eu não havia reparado com as leituras anteriores. É mágico!

O foco de Jane Austen ao escrever Orgulho e Preconceito foi muito além de contar um romance, mesmo eu achando essa história a melhor que eu já li até hoje. A relação entre Darcy e Elizabeth é construída de forma tranquila, instigante e apaixonada. Austen é sarcástica e irônica ao descrever o cenário daquela época (1813). O livro é cheio de críticas muitíssimo construtivas relacionadas ao padrão feminino imposto pela sociedade e também, ao papel masculino. O fato de casamentos por interesse serem tão comuns, diferentes condições sociais e os costumes excêntricos da população receberam a atenção de Jane nesta obra fantástica. 

“Tentei lutar, mas em vão. Não consigo mais. Não posso reprimir meus sentimentos. Você tem de me permitir dizer com quanto ardor eu admiro e amo você.” 

A linguagem é clássica, mas acessível. Os diálogos me encantam, é tudo tão inteligente! E a riqueza dos detalhes não é nem um pouco cansativa, muito pelo contrário, tem um papel fundamental na descrição da história. Orgulho e Preconceito é um livro épico, interessante ao extremo e muito versado. Depois de lê-lo, meu interesse por obras clássicas aumentou consideravelmente. Orgulho e Preconceito é inesquecível pelo simples fato de transmitir de forma suave e natural um lindo romance e muitas cenas com características dignas de reflexão.


32 comentários:

  1. Preciso ler esse livro! rssrs Adorei a resenha, muito bem feita!

    Beijos

    http://papelpoesia.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Oi Thamiris,

    Tenho muita curiosidade e até vontade de ler Orgulho e Preconceito, várias vezes já me recomendaram, mas por algum motivo obscuro nunca o peguei para ler. Porém, lendo a sua resenha aquela vontade + curiosidade despertaram outra vez hahahahah Acho que vou aproveitar a minha ida a livraria para ver se acho um exemplar!

    Todos se apaixonam pelo Sr. Darcy, mas ele me pareceu tão erm... intragável hahahaha Ele é assim mesmo ou foi só a minha impressão?

    Beijos,
    Renata

    psychoreader.wordpress.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Renata!
      Isso acontece. Tenho uma lista de livros na mesma situação.
      Espero que leia em breve e que goste muito.
      Mr. Darcy é único. Leia a obra e. conheça ele. Então, depois disso, o julgue.
      Beijos

      Excluir
  3. Meu coração quase parou quando vi a resenha sobre Orgulho e Preconceito, sou APAIXONADA por esse livro. E pelo filme. Simplesmente não me canso da obra, é perfeita. Comecei pelo filme e só alguns anos depois consegui ler o livro, e confesso que achei que a adaptação ficou muito fiel. Mas, claro, o Mr. Darcy é ainda melhor no livro - como não se apaixonar por esse homem?! Não é de se espantar que é meu maior amor literário. E concordo contigo, os diálogos são incríveis. Ah, Orgulho e Preconceito ♥
    Beijos e ótima semana!

    http://confissoesdeumleitor.wordpress.com/

    ResponderExcluir
  4. Olá, tudo bem?
    Eu ainda não li esse livro, mas tenho vontade de ler. Já vi várias ótimas resenhas sobre ele, inclusive a sua ^^.
    Gostei muito da resenha.
    Abraços!
    http://enjoythelittllethingss.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Adorei a resenha. Já vi o filme e gostei, mas ainda não li nada da Jane Austen, tenho vontade. Os relacionamentos antigamente (pq não são só naquela época, infelizmente duraram bem mais) eram horríveis mesmo
    bjs
    http://felicidadeinventada.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Mah!
      Mas horrível não eram os relacionamentos, e sim, os julgamentos.
      Beijos

      Excluir
  6. Até então só tinha ouvido falar do filme, mas como sou daquelas que prefere livros a filmes, vou ler Orgulho e Preconceito antes de assistir :)
    Parabéns pela resenha, está muito detalhada e explicativa, o livro parece ser aqueles que ficam conosco mesmo depois da leitura.

    Beijos,
    www.a-book-devourer.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É o tipo de livro que fica com a gente para sempre.
      Beijos!

      Excluir
  7. Oie,
    nossa já vi tanta gente falando deste livro, vi o filme a gostei bastante, mas quando fui ler o livro achei bem cansativo, mas deve ter sito a versão que peguei, pq todo mundo ama rsrsr

    bjos

    http://blog.vanessasueroz.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Vanessa!
      Bom, na minha primeira leitura, também achei um pouco cansativo. Te conselho a ler no futuro novamente, para ver o que você acha.
      Beijos

      Excluir
  8. Dá para acreditar que eu ainda não li esse livro? Nossa!
    Mas eu sempre tive vontade de conhecer o trabalho da Jane e ainda esse ano eu pretendo ler algum livro dela.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
  9. Tenho um combo da Jane aqui em casa, só que nunca parei pra ler nenhum desses livros. Amo o filme de Orgulho e Preconceito, mas ainda não li o livro! :c
    http://pactoliterario.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Adoraria ter um combo da Jane na minha casa também, hahaha.

      Excluir
  10. Olá Thamiris,
    A sua resenha é apaixonante. Eu li esse livro em inglês - acho que já comentei por aqui -, mas a leitura não fluiu, então desistir de tentar reler em português, mas você fala com tanto amor e é tão lindo ver isso que decidi que quero e vou reler rs.
    Amei a sua resenha desde a primeira frase. Espero ler logo esse livro.
    Beijos
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada minha linda!
      Sei que hoje você releu e amou. ♥
      Obrigada pelo carinho imenso.
      Beijos

      Excluir
  11. Oi! Eu tenho uma coletânea com os livros da Jane Austen e entre eles está Orgulho e Preconceito. Até hoje o único trabalho que li da autora foi Razão e Sensibilidade.

    Orgulho e Preconceito (O filme) é muito legal, agora preciso criar coragem e ler o livro.

    Amei a resenha.

    catalinaterrassa.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda não li "Razão e Sensibilidade", Catalina.
      Obrigada pelo elogio!

      Excluir
  12. Lindo, lindo, lindo!!! Tu falou exatamente tudo que eu penso sobre a história. Orgulho e preconceito está no topo dos romances da minha vida. <3 <3

    Ameeei, teu blog é lindo! Parabéns! :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Está no topo dos romances das nossas vidas. ♥
      Obrigada pelo carinho!

      Excluir
  13. Oiii Tha!!

    Eu tenho exatamente essa edição de Orgulho e Preconceito, mas como eu te falei uma vez a obra ainda.
    Mas a estória e a mensagem geral que ela passa são magníficas e assim que eu tiver mais tempo vou dar a atenção que esse livro merece!

    Beeijos Tha!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Raí! <3
      Essa edição é maravilinda.
      Espero que possa dar atenção pra ele em breve! ♥
      Beijos

      Excluir
  14. Thamiris, essa resenha está completíssima. Mas uma coisa que achei curiosa foi você relacionar a Lizzie com o preconceito e o Mr. Darcy com o orgulho, pois eu sempre achei o contrário: ele é preconceituoso em relação à família da Lizzie e, por mais que goste dela, não assume logo, pois pensa que jamais se veria relacionando-se a uma família humilde e de baixa posição social. Já a Lizzie, por sua vez, é orgulhosa porque teve seu orgulho ferido ao ouvir Mr. Darcy dizendo que ela era toleravelmente bonita e porque sabe que ele a considera inferior a ela. Mas... Essa é a minha interpretação, e vejo a sua como correta também. Só achei interessante demais essa divergência.


    Beijinhos, Hel - Leituras & Gatices

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sua interpretação é muito válida, Helena! Gostei dessa divergência também.
      Vejo Elizabeth como preconceituosa diante da riqueza do Mr. Darcy. E Mr. Darcy orgulhoso pela sua atitude ao assumir seu amor por Lizzy, enaltecendo a condição (elevada em comparação a dela) social dele e desprezando a dela.
      Obrigada pelo elogio!
      Beijos

      Excluir
  15. Olá!

    A Jane Austen é uma ótima escritora e merece toda a admiração. Gosto bastante desse livro, me ajudou bastante quando comecei a fazer o inglês (eu tinha a versão bilíngue).

    Abraços, Heitor Botti
    shakedepalavras.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi!
      Concordo com cada palavra sua. A Jane é sensacional!
      Minha versão também é bilíngue e espero ler em inglês algum dia.
      Obrigada pela visita, volte sempre.

      Excluir
  16. Olá Thami,
    Como sempre, uma avaliação impecável de um livro incrível.
    Você sabe que já tinha lido o livro e não curtido a leitura. Fiz a releitura por sua causa e adorei. Não me arrependo em momento algum de ter feito.
    Espero ter a oportunidade de ler novamente, pois acho que terei uma nova percepção da história.
    Beijos ♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Bru!
      Nossa, muito obrigada pelo elogio.
      Fiquei muito feliz com o resultado da sua releitura, você sabe.
      Beijos

      Excluir

Seu comentário é muito importante. Obrigada!

Obs.: Caso você não tenha uma conta no Google e não saiba como comentar, escreva o que deseja na caixa de texto acima e na opção "comentar como" selecione "Nome/URL", preenchendo somente o campo nome.

E-mail para contato: thamirisdondossola@hotmail.com