sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

(ESM) Tema #10: Aquilo que eu não suporto - Especismo

Quando decidi o tema número onze do projeto "Escrevendo sem medo" (Aquilo que eu não suporto), não sabia ainda sobre o que eu iria escrever. Há muitas coisas que me incomodam. Já escrevi sobre algumas delas aqui no blog, como por exemplo, o descaso humano em relação aos animais, preconceitos de modo geral, assédio sexual, etc. Como sempre falo por aí, apesar de o blog ser literário, ele não fica preso nesse meio e vai muito além disso. O Historiar é o meu espaço, é o lugar em que eu exponho minhas reflexões acerca de muitas outras coisas além da literatura.

Depois de muito pensar sobre aquilo que eu não suporto, cheguei ao tema central do meu texto: especismo


Eu já falei sobre o descaso humano, mas hoje vou centralizar melhor e falar sobre esse assunto que muitas pessoas desconhecem, assim como eu desconhecia, o especismo. É justamente por isso, pelo fato de muitas pessoas desconhecerem, que decidi abordar esse tema hoje. Para conceituar, recorri as explicações do dicionário informal:

1. Especismo é a atribuição de valores ou direitos diferentes a seres dependendo da sua espécie.

2. Sistema que afirma a superioridade incontestável de uma espécie sobre as demais outras.

3. A discriminação feita utilizando-se a espécie biológica como critério. Um termo, na verdade, cunhado em analogia aos seus irmãos racismo, sexismo e outras formas de discriminação.

Quando alguém é discriminado pelo seu tom de pele, temos o racismo. Quando alguém é discriminado pelo seu gênero ou orientação sexual, temos o sexismo. Logo, quando um ser vivo é discriminado pela sua espécie, temos o especismo. Todas essas formas de discriminação são abomináveis e, em minha visão, inexplicáveis. Eu, absolutamente, não compactuo com nenhuma delas. Portanto, não me julguem por escolher falar sobre o especismo, pois é outra coisa da qual não suporto. Observe a seguinte imagem e por um momento, reflita sobre ela:


Decidi trazer essa imagem, pois ela é autoexplicativa. Temos um homem afagando um gato. Ao mesmo tempo em que demonstra afeto pelo gatinho, ele segura uma faca na mão e é observado por outros animais, como um porco, algumas galinhas, uma ovelha, entre outros. Além disso, ele tem sangue em seu avental. Pensando sobre uma palavra para descrever essa imagem eu escolheria, em primeiro lugar, “especismo”. Pensando em outra: indiferença. Acredito que há uma linha bastante tênue entre o especismo e a indiferença. E eu não suporto ambas as coisas.

Quem nunca leu por aí aquela frase: “Se você ama um, por que come o outro?” Essa é, para mim, uma pergunta sem resposta. Não há nada, absolutamente nada, que justifique. Está comprovado há muito tempo que é possível que o ser humano se alimente de forma saudável sem nenhum produto de origem animal. Então, por favor, não tente se justificar falando sobre alimentação saudável. O mínimo que eu espero das pessoas ao meu redor é a ausência da indiferença. Se você se importa com os animais, sofre por eles e tem um mínimo de consideração, já está dando um grande passo. Agora, um ser humano totalmente indiferente (especista), que se recusa a ao menos refletir sobre a situação de um boi ou um porco, por exemplo, precisa repensar sobre seus princípios, principalmente se você prega a ética por aí.

Gary Yourofsky, em uma de suas palestras (clique aqui para assistir, recomendo!), disse o seguinte: "Porque se todos nós concordamos que os animais usam seus olhos para ver, seus ouvidos para ouvir, narizes para cheirar, bocas para comer, pernas para caminhar, penas para voar, barbatanas para nadar, genitalias para procriar, intestinos para defecar, eu sempre fico perplexo em ver que a maioria das pessoas não acham que eles usem seus cérebros para pensar, sentir, ser racional e estar consciente do ambiente e de si próprio! Será que devo acreditar mesmo que todas as partes do corpo de um animal funcionam bem, menos o seu cérebro?"

Pense e repense sobre a sua indiferença em relação aos animais. Aliás, quando você fala: “Eu amo os animais!” Você está falando que ama gatos, cachorros, porcos, bois, ovelhas e galinhas?

Eu não sou a voz da verdade e ainda tenho muitos defeitos que pretendo corrigir com o passar do tempo, mas isso não me impede de escrever sobre um tema que eu não suporto, conforme o pedido do décimo tema do projeto. Portanto, para concluir: eu detesto o especismo. Eu não suporto a indiferença do ser humano em relação aos seres de outras espécies. Todos sentem, todos sofrem. Todos.

Observação final: o meu objetivo com esse texto não é ofender ninguém. O objetivo é o mesmo de todos os meus outros textos: promover a reflexão. 

Por Thamiris Dondóssola.

16 comentários:

  1. Bom, eu não tenho o que discordar do seu texto, está maravilhosa a sua argumentação! Acho que esse texto é muito válido porque muitas pessoas não percebem que cometem essa segregação de espécies - ou nunca ouviram falar do especismo - o que torna essa discussão muito rica.

    Compartilhei seu texto lá no Facebook porque acho que todos devem lê-lo!
    Beijos e parabéns pelo texto está lindo!
    Leituras & Gatices

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    1. Muito obrigada, Helena.
      O fato de muitas pessoas não conhecerem o termo "especismo" foi o que me levou a escrever esse texto. Além, é claro, de promover a reflexão.
      Beijos ❤

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  2. Thamii adorei o texto, e é uma ótima reflexão só me faz pensar mais na conversa que tivemos outro dia!
    Sempre falando com coração e sabedoria <3

    Beijao

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    1. Se você refletiu, estou feliz. Obrigada pelo carinho e o nosso diálogo me inspirou.
      Beijos ❤

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  3. Parabéns pela pertinência do tema e pela atitude de abordá-lo! Fiquei muito feliz em ver alguém escrevendo isto em um blog, uma vez que mesmo depois de um autor famoso como o Richard Dowkins já ter comparado o especismo com outra idiotice, o nacionalismo, que faz um soldado matar outro que ele nem mesmo conhece porque é de um país considerado inimigo, as pessoas ainda permanecem cegas para essas atrocidades em ambos os casos. Além de pertinente, este é um tema amplo que merece ser pensado em muitas de suas interfaces. Algumas pessoas matam uns animais por interesses econômicos, mas dão a outros os cuidados que vão além das necessidades destes por motivos afetivos. De modo semelhante, vejo muitas pessoas pregarem que é um absurdo tirar a vida de um animal para satisfazer nossos interesses... então, porque seria correto matar uma planta? Claro que a presença de um sistema nervoso faz com que os animais percebam nitidamente o sofrimento -aliás, você colocou isso muitíssimo bem- mas talvez, muitos ficassem surpresos ao saber que as plantas possuem sistemas altamente complexos de recepção de estímulos ambientais, de modo que sentem stress fisico, químico, percebem até mesmo de que lado a luz do sol as atinge e as ondas sonoras de alguém que, porventura, "converse" com as mesmas. Tudo é vida, mas passa a ser mais ou menos valorizado de acordo com o táxon ao qual pertence, dando a entender que o especismo reverbera em categorias taxonômicas acima de espécie também. Pra fazer outra menção, concordo com o grande Edward O. Wilson, quando, no livro "Diversidade da Vida" ele chama a atenção para o valor intrínseco das espécies, valor independente dos nossos interesses econômicos, dos nossos sistemas de valores morais/culturais etc. Merece respeito porque é vida e basta. O que a gente precisa é deixar de ser indiferente mesmo. Muito obrigado por nos disponibilizar a contribuição do seu texto. Para mim, foram inspiradores seu texto e sua atitude, me deu vontade de fazer um post sobre especismo também. Gostei mesmo.

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    1. Sobre as plantas, assim como você colocou, apesar da sua sensibilidade, elas não possuem um sistema nervoso. Eis uma diferença extrema em relação aos animais. Mas vida é vida e, é claro, precisamos refletir sobre isso também. Você foi bastante pertinente ao afirmar que as pessoas ainda estão cegas diante do especismo e fico feliz por compreender e concordar com o fato de que o homem precisa parar de ser indiferente.
      Muito obrigada pelos elogios, Herbert. E obrigada por compartilhar a sua opinião conosco.

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  4. Hum,intendo sua sua forma de pensá e acredito também que o ser humano possa ter menos derivado de carne eu seu prato e ter uma alimentação saudável. Agora em relação aos animais userem o cérebro, é claro que eles usam,mas aí temos que saber a diferença de instinto e reflexão sobre instinto exemplo:o leão não refletir não comer carne hoje ou amanhã ou o próprio tipo de alimentação mas saudável ele simplesmente se alimenta do que é necessário para sua sobrevivência mantendo equilíbrio ambiental,agindo assim ele não está deixando de usar seu cérebro e pelo contrário ele são muito inteligente como todos os animais ou formas de vida sobre a terra.os seres humanos somos diferente na forma de pensá nos refletidos sobre nossos instintos,apesar de nem sempre conseguirmos conter nossos impulsos naturais e é aí que nos se encontramos tão semelhante a aquele leão tentado saciar sua fome...

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    1. Francisco, apesar de muitos pensarem e agirem como se fosse, o ser humano não é carnívoro. Fisiologicamente, o corpo do homem é 100% herbívoro. Você sabia disso? Portanto, para mim, essa questão de "impulsos naturais" e "instinto" não são justificáveis. Eu não preciso, não quero e não sinto necessidade nenhuma de saciar a minha fome com a morte de outro animal. Enfim, obrigada por compartilhar a sua forma de pensar conosco.

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  5. Oi, Thamiris!
    Menina, amei seu texto. Vou mostrar pra algumas amigas minhas que são veganas e tenho certeza que elas irão amar também.
    Sobre o Jake Bugg, também gosto muito de Seen It All. O clipe é mó viagem hahahah
    Beijos
    Balaio de Babados | Sorteio do livro Marianas

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    1. Oi, Luiza.
      Muito obrigada!
      Nossa! Pessoalmente, eu não conheço ninguém que seja vegano.
      O clipe eu não assisti, mas curto muito a música.
      Beijos

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  6. Oi Tha!

    É por isso que cada vez menos eu como carne. Fico lá imaginando o sofrimento do bicho e isso embrulha meu estômago.
    Outro dia estava mesmo pensando sobre essa questão de as pessoas supervalorizarem uns animais e não darem a mínima para outros. E depois ainda se dizem "defensores dos animais". Como se esses animais rurais não fossem animais e não tivessem sentimentos. Porque eu duvido que os bichos que são criados para servirem de alimento não sofram no processo...


    Beijos!

    www.ooutroladodaraposa.com.br

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    1. Oi, Raí.
      Isso é muito bom. Sempre fico feliz quando alguém me conta que está sentindo o mesmo que você.
      Exatamente, quando você diz: "Eu amo os animais", você deve ter consciência do que está falando. Ama cachorros e gatos? Mas... E os outros?
      Beijão

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  7. Seu texto ficou maravilhoso e a imagem que o ilustra é muito comovente e angustiante. Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que não consumo produtos de origem animal, mas aqui em casa estamos diminuindo bastante a quantidade de carne e dificilmente tomamos leite.
    Acho sim que animais (e até mesmo plantas) tem algum tipo de consciência sobre si mesmos e o ambiente em que estão inseridos. O ser humano tem mania de achar que seus padrões de percepção são universais e qualquer outra espécie que não perceba as coisas da mesma forma automaticamente é vista como sem consciência ou racionalidade, o que, na minha opinião, é um erro e uma baita prepotência/arrogância.
    O processo de mudança é lento e nem sempre fácil, mas espero que um dia minha família chegue lá.
    Um beijo.
    Fê Cardoso
    http://www.baseadoemlivros.com.br

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    1. Oi, Fê.
      Fiquei feliz com seu comentário, muito obrigada.
      Aqui em casa somente eu estou no processo do vegetarianismo. Meus pais não.
      Isso é bastante triste, mas não deixo de incentivar. Meu sonho é vê-los conscientes.
      Beijos

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  8. Olá Thami,
    Li seu texto apenas hoje, pois acabei de escrever o meu e, como sabe, não queria me influenciar.
    Gostei muito da escolha do seu tema e acho que escolheria algo assim, mas isso não é o que mais não suporto.
    Eu acho esse tipo de preconceito muito ruim. Eu odeio amar meus cachorros e comer carne, eu me sinto suja, mas ainda não consegui largar a carne, sabe?
    Adorei seu texto, como sempre.
    Beijos,
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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