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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Até que ponto o ser humano pode chegar?

É, os últimos dias não têm sido fáceis para mim, mas sempre fui uma pessoa extremamente crente em Deus e Sua sabedoria, então, não ouso questioná-Lo, apenas peço que Ele sempre me dê sabedoria para entender seus desígnios e saber aceitar.

Tenho muita sorte, pois tenho pessoas ao meu lado que realmente se importam comigo e que estão ao meu lado segurando minha mão quando preciso, mesmo que elas estejam presentes apenas em meu coração, pois vivem a quilômetros de distância.

- Fonte
Esse relato está ficando extremamente confuso e, quando comecei, foi com o intuito de mostrar para os outros que, por pior que você esteja, sempre terá alguém ao seu lado que o ajudará, que o amparará, mas acho que o foco, em minha mente, está mais para a hipocrisia e mesquinhez humana.

quarta-feira, 29 de março de 2017

O que der na telha - Com DeCastro #34


A MORTE DE UM PEDERASTA

Levanto-me de manhã cedo e percebo o relógio marcando hora e data. Cinco horas. Sexta-feira, 13. Tudo pode acontecer numa sexta-feira 13, assim como em uma quinta 12 ou em um sábado 14. Numerologia e superstições sempre foram uma prática sedutora nas diversas civilizações. Para mim, no entanto, soa indiferente. Eu, que apenas me desloco na condição úmida e ferina de minha existência, descubro-me e, então, tenho consciência de que é muito fastidioso me vestir. Decido ficar na cama por mais algum tempo. Essa consciência que se percebe proclama sua superioridade ao seu objeto de análise: eu mesmo. Mas ficar aqui atirado sobre o colchão de molas soltas e gastas é por demais angustiante. Sou um ser de angústia, recolhido em mim mesmo.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O que der na telha - Com DeCastro #33


A cortina de musselina balouçava ao vento úmido que atravessava a janela parcialmente aberta. Lá fora, todo um universo caótico e turbulento dos carros brecando, das crianças chorando, dos pais ou babás brigando, toda uma barafunda. Ali dentro, sobre um pequeno tapete vermelho-alaranjado com franjas brancas, um iniciado iogue abstrai-se de seu corpo físico e vivencia uma mística irmandade com o cosmo. Seu corpo franzino, nu, moreno e sereno, causam-lhe uma atmosfera santifica. Indra conservava uma barba abundante, escura e eriçada, que escondia um rosto anguloso, com traços suaves, exceto por uma pequena cicatriz, funda e branca, no canto do olho direito que lhe conferia alguma brutalidade.

- Mestre, perdoe-me pela intromissão- disse Suria, baixando os olhos- mas é importante.

- O que há de ser mais importante do que o autoconhecimento, Suria? – Uma lufada trouxe um cheiro suave e doce de rosas que rapidamente envolveu a sala.

quinta-feira, 2 de março de 2017

O que der na telha - Com DeCastro #32


O gélido amplexo do inverno apertava junto de si todas as coisas e seres. Na Montmartre as pessoas apinhavam-se nas calçadas imundas. Alguns postes luziam uma luz fraca, enquanto outros bruxuleavam, ora mostrando mulheres encasacadas, exceto pelas pernas seminuas, ora deixando apenas silhuetas sugestivas que mexiam os quadris suavemente quando por ali passavam alguns homens ou algumas mulheres a procura de prazer.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O que der na telha - com DeCastro #31


O inverno havia chegado pesado e massivo. O vento agia como navalha, ressecando os lábios e cortando-os em pequenas fissuras que ardiam ininterruptamente. Dos olhos, o mesmo vento arrancava lágrimas. Charles Garras terminava sua sopa escaldante enquanto esperava, para seu deleite, um saboroso risoto de alho poró, combinando com um grande bife embevecido num grosso molho madeira. Bebia um vinho tinto do porto, de inigualável sabor, ainda que fosse uma bebida razoavelmente barata, refestelando-se à mesa.