Ao refletirmos sobre a figura do índio e o processo de colonização ocorrido no Brasil, quase sempre pensamos em pessoas nuas, dóceis, selvagens, aqueles que foram perdedores de uma grande luta, por sua inocência, pureza e ignorância. Acredito que toda essa visão é algo estereotipado, que nos é apresentado desde pequenos quando começamos a frequentar a escola, de modo que parte disso se deve a literatura clássica brasileira e a maneira como ela representou os indígenas.
De Pero Vaz de Caminha no quinhentismo, – período em que predominavam as cartas e crônicas sobre o Brasil – com suas observações peculiares e espantadas sobre os índios, a José de Alencar, no período romântico, com suas histórias indianistas cheias de heroísmo e idealização da figura do colonizado. Em toda a trajetória da literatura, o índio sempre foi descrito e caracterizado pelo outro, nunca houve espaço para que ele pudesse contar sua própria versão dos fatos. Nunca houve espaço para que sua “voz” fosse ouvida. 



