"Recostada na poltrona, feito um gato aos pés da dona, contemplava aquele corpo seminu dobrado sobre a pia do banheiro. A leveza dos movimentos lembravam as canções de Debussy... Uma leve brisa primaveril... o ruivo do sol arrebentando por entre as janelas tingia a silhueta de N. Café fumega... Seus olhos miúdos e a escassez de boca e nariz conferem-na traços pudicos e pueris. Quando a vê, descamisada e ardente, com os seios a exalar um aroma de fruta silvestre, pincha-se sobre ela, laça-a com as pernas feito pinça e enrosca os braços em torno de seu pescoço. E. sente a vulva peluda dela roçar-lhe a barriga para cima e para baixo enquanto a beija... e tudo aquilo as queima por dentro. Quando abraçadas ardiam em chamas.
A caminho para o quarto foram esbarrando em coisas. Feito uma gatuna, N. consegue pegar no ar uma pequena escultura que, naturalmente, ficaria em mil estilhaços. E. a joga sobre os lençóis puídos da cama. Arranca o tecido que ainda cobre seu corpo. Sua carne, aos poucos, torna-se desvelada, oferecendo aos olhos de E. primeiro as coxas alvas, em seguida a vulva firme e fina, o ventre rijo, os peitos ostentosos com mamilos tesos e, por fim, o colo fissurado com suas saboneteiras convexas. N., agora, está nua em pelos. Aperta-a, sente-a em suas mãos calejadas. A língua de E. percorre todo o corpo de sua amante. Ambas se tocam. Os dedos descem até encontrarem as bocetas úmidas e pulsantes de prazer. A volúpia pastosa afogueai-as. Seus corpos, antes estáveis prisão do prazer, sucumbem as vontades voluptuosas. Os mamilos rijos roçam-se um noutro, potencializando o prazer... num movimento brusco e forte, N. pega E. pela cintura e a vira, trocando as posições. Ergue o quadril dela. Um verdadeiro paraíso de prazeres se descortina em sua frente. Suas mãos percorrem todo o corpo moreno de E.. Aperta a bunda, dá tapas, beija e morde, enquanto ela, a olhá-la nos olhos e exigir-lhe aquilo que lhe pertence, solta alguns grunhidos de prazer, excitando-a ainda mais – havia algo em E. que quando alçava os olhos sobre alguém, esse alguém sentia o corpo estremecer e a alma encher de prazer- . Sua língua toca levemente o clitóris. Aos poucos os movimentos circulares vão se intensificando. A medida que a fricção é maior os sussurros crescem e enchem o quarto de prazeres sonoros. Gemem. N. comprime os seios e em seguida, para avultar a sensação, guinda os mamilos com as pontas dos dedos. E. agora suga as partes dela, em seguida passa a estimular com a boca o anus, voltando ao sexo e quedando, outra vez, no anus... e libam seus corpos e os lençóis.
Então N. acorda. Lá fora chove a cântaros. Nada canta. Nada soa, a não ser as gotas d’agua tombando no vidro. Vicente acorda. Sente que N. está alterada. Olha em seus olhos imóveis – os dele faíscam- . Quer selar os lábios dela, mas seus lábios tornam-se impenetráveis ao mínimo toque."
Por DeCastro.


Incrível! As palavras nada sutis deixam o texto mais harmonioso. Dá a sensação de uma história que é ouvida antes mesmo de ser lida.
ResponderExcluirQue bom que gostou. Meu objetivo é provocar. Espero que tenha alcançado seu objetivo.
ExcluirOi, que texto é esse? As suas palavras nem um pouco sutis deixam o texto mais incrivel e realista. Parece que estamos vendo a cena em frente de nós, de tão detalhista que achei e ao mesmo tempo, com um toque de misterio. Adorei ler e vou sempre que possivel, passar por aqui para ver seus textos.
ResponderExcluirbjus
Que tal? Gostou, então. Quis tornar o conto tudo aquilo que você já mencionou e, além disso, provocar. Espero que continue acompanhando minha coluna e o blog também, que sempre posta coisas muitíssimos importantes.
ExcluirBeijos
Oi,
ResponderExcluirGostei bastante do conto!
O autor tem uma escrita realista, momentos marcantes e bastante detalhista.
Parabéns pelo texto
beijos
Olá, obrigado pelas palavras. Gosto de uma escrita realista, que lance luz naquilo que nos, cretinamente, procuramos obscurecer.
ExcluirContinue passando por aqui.
Beijos
Olá... tudo bem??
ResponderExcluirA escrita é bem rebuscada e intensa... quando comecei a lei não esperava nada disso haha... Castro escreve bem, mesmo eu não curtindo muito contos... eu achei a escrita envolvente e até pode hipnotizar a mente do leitor que curte essa temática... parabéns por ter trazido esse texto para nós... Xero!
Olá, tudo bem sim e com você? Embora não seja o tema de minha predileção, é, ainda, um assunto que por vezes me atrai. Pretendi uma experiencia nova, e vejo que consegui alcançar o objetivo. Muito obrigado pelas palavras e espero que continue passando por aqui.
ExcluirBeijos
Oi!
ResponderExcluirA escrita é envolvente, tem um bom toque realista e cativa bastante. Achei interessante você não nomear alguns personagens (costumo fazer isso de vez em quando também, mas deixo sem nome algum, nem inicial como foi seu caso). E o final deu o que pensar! Muito bacana!
Oi. Que bom que gostou. Quis, aqui, tornar os personagens imparciais, exceto Vicente. Queria que cada leitora conseguisse de ver ali, nas personagens. Espero que continue passando por aqui e acompanhando a coluna.
ExcluirOlá Felipe, adorei o texto, parabéns!
ResponderExcluirAchei bem intenso e envolvente, já estou aguardando o próximo ;)
Abraços
Olá, Raquel. Obrigado por deixar seu registro.Na quinzena que vem tem mais. Passe por aqui.
ExcluirAbraços