terça-feira, 15 de março de 2016

Resenha: Éramos seis - Maria José Dupré (Vaga-Lume #03)

Sinopse: A história de Dona Lola e sua família, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade do marido, Júlio, e dos quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Maria Isabel. A vida de Dona Lola é narrada desde a infância das crianças, quando Júlio trabalha para pagar as prestações da casa onde moram, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e de Dona Lola à velhice. Conforme os anos passam, vão se modificando as coisas na vida de Dona Lola: a morte de Júlio; o sumiço de Alfredo pelo mundo; a união de Isabel com Felício, um homem separado; a ascensão de Julinho, que se casa com uma moça de família rica. O título do livro vem da situação de Dona Lola ao fim da vida, sozinha num asilo: eram seis, agora só resta ela. Também são expostos no livro outras personagens, como os familiares de Lola: na cidade de Itapetininga, interior paulista, moram a mãe, Dona Maria; a tia Candoca; as irmãs Clotilde, solteira, e Olga, casada com Zeca, seu cunhado; na cidade, vive a rica tia Emília, irmã de seu pai; e a filha dela, Justina.


A vida de Dona Lola, desde o nascimento do seu primeiro filho e algumas considerações antes do seu casamento é o que compõe a obra de Maria José Dupré, Éramos seis, publicado pela primeira vez em 1943. Vamos conhecendo, ao longo da história, um pouquinho sobre cada integrante dessa família de seis pessoas e todas as dificuldades enfrentadas por Lola ao longo dos anos. 

Lola é casada com Júlio e com ele teve quatro lindos filhos. Carlos é extremamente inteligente e esforçado desde pequeno, sempre deu muitas alegrias aos pais por conta de sua dedicação. Alfredo é o que podemos chamar de ovelha negra da família. O menino nunca gostou de estudar e sempre escolheu as piores amizades. Julinho e Isabel são os mais novos. Julinho é um menino empreendedor e cumpriu bem com seu papel de filho. Já Isabel, apesar de ser uma boa menina, possui ideias muito fortes e dificilmente se deixa contrariar.

"Nunca disse aos meus filhos para serem honestos. Sabe por quê? Porque sempre pensei que a gente já nascesse honesta e isso não se ensinasse. Imagine dizer a eles todos os dias: Não roube, não mate. Você acha que isso se ensina? É o mesmo que dizer: a boca é para falar, os olhos são para olhar. Isso se ensina, Clotilde? Diga se isso se ensina. Ensina-se a ser bom, ser correto, cumprir as obrigações, ser limpo, fazer o bem, não maltratar ninguém, obedecer aos mais velhos, respeitar os superiores. Mas não roubar, não matar, eu nunca ensinei; será que errei e devia ter ensinado também isso? Pensei que a gente da nossa raça já nascesse sabendo. Vai ver que errei."

Falarei inicialmente sobre a personalidade de Júlio. Lola muitas vezes se mostrou com medo dele. Ele é o típico pai de família tradicional e transborda costumes antiquados e hostis. A mulher serve para servi-lo, trabalhar e educar seus filhos. Quando alguma coisa dá errado, a culpa cai sempre para o lado de Lola. Muitas vezes ele agiu ao lado da injustiça. Mas, como grande parte desses homens, há momentos em que ele se torna carinhoso. É nesses momentos que noto a fragilidade da mulher dos tempos antigos. Muitas mulheres simplesmente esqueciam todas as coisas ruins pelas quais passaram por conta de um agrado do marido. As atitudes de Júlio me fizeram detestá-lo, então, consequentemente, não simpatizei com esse personagem.

"- Diga quem manda nesta casa? Quem é que paga tudo? Hein? Por que não fala? Chego exausto do serviço, sento na mesa para jantar e ela vem me dizer que não devo comer isto ou aquilo. Fique sabendo que como o que quero e ninguém tem nada com isso. Ouviu?"

Carlos e Alfredo passam grande parte do tempo discutindo. Os irmãos, desde a infância, nutriam ideais opostos e isso se estendeu ao longo do tempo. Enquanto Carlos era tido como o típico burguês, Alfredo silenciosamente simpatizava com ideias comunistas e logo depois, socialistas. Essa ideia defendida por Alfredo causaram brigas verbais e físicas, pois Carlos era totalmente contra qualquer princípio comunista.

Eleonora, ou simplesmente Dona Lola, foi uma mulher dedicada inteiramente ao marido e as quatro filhos. Ela foi acompanhando com muita força a partida de um por um. Quando falo em partida, não falo necessariamente da morte. Ela soube permanecer firme diante do afastamento de seus filhos queridos. Ela lutou contra a pobreza trabalhando pelo mínimo conforto. Ela desanimou, mas nunca desistiu. Com certeza serve de exemplo por ser uma mulher batalhadora e esperançosa. E não é por acaso que é a protagonista da história.

"Despedi-me das irmãs com o coração magoado e cheguei muito cansada em nossa casa; desanimada também, pensando: Para que tanto trabalho, tanto esforço, tanta luta neste mundo, se o fim de todos é o mesmo: ficar deitado entre quatro tábuas, no escuro e como uma porção de terra por cima?"

Como já mencionado, acompanhamos a rotina dessa família e todas as suas dificuldades. Encontrei na obra a tentativa de se passar uma mensagem inicialmente simples, mas que vai se mostrando extremamente forte. Será que o que você está fazendo da sua vida valerá a pena no final? Quais as consequências das suas ações? Dona Lola se encarrega de nos descrever de forma minuciosa seus sentimentos em relação a essas questões.

Por se tratar de um livro infanto-juvenil, a narrativa é bastante confortável. Não há termos técnicos, tudo é bastante simples e agradável. Acredito que demorei em média duas semanas para ler Éramos seis. Isso porque estava revezando com outra leitura. Acredito que é possível lê-lo em poucos dias. 

Intenso e reflexivo. Essas duas palavras são perfeitas para descrever a obra de Maria José Dupré, Éramos seis.


12 comentários:

  1. Olá Thami,
    Nossa, gostei muito da premissa do livro, achei muito bacana.
    É bom lermos livros infanto-juvenis as vezes, pois dá aquela aliviada, não acha?
    Estou louca para ler os livros dessa coleção.
    Beijos ♥
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Bru! Com toda certeza dá uma grande aliviada, rs.
      Espero que você goste! :)
      Beijocas

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  2. Oi, Thami!
    Mulher, esse livro é daquela novela Éramos Seis, né? Eu acho que assisti quando criança hahhaha
    Eu curto muito livros infanto-juvenis, principalmente depois de uma leitura pesada.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do sorteio do livro Marianas | Porcelana - Financiamento Coletivo

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    1. Oi, Luiza.
      Não sei! Eu não assisti a essa novela não, haha.
      Beijocas

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  3. Eu sempre tive vontade de ler esse livro, após a tua resenha só fiquei com mais vontade ainda. Obrigada por ela. Maravilhosa, um beijooo <3

    ps: mais literatura brasileira, por favoooooooor!


    www.martinhabarreto.com

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    1. Espero que você o leia, então. É ótimo! E muito obrigada pelo carinho.
      Beijos

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  4. Oie...
    Essa série vaga lume está rendendo ótimos títulos... E o que mais me chamou a atenção foi que eu li esse livro no colégio quando era bem mais nova e havia esquecido dele! Só você resenhando agora que lembrei ;)
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  5. Olá :)
    Gostei muito da resenha! Esses livros infanto-juvenil sempre me deixam com uma nostalgia da minha adolescência. O título desse não me é estranho, mas tenho certeza que não li ainda. Obrigada pela dica.

    Bjim
    cafeebonslivros.blogspot.com.br

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    1. Oi, Kelly!
      Nem me fale. Sinto muita saudade!
      Beijos

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  6. Ah, fiquei tão feliz quando vi essa resenha aqui!
    Esse é um dos meus livros preferidos, a história é forte e emocionante. Lola é uma guerreira e atravessou com coragem todos os percalços que a vida lhe impôs.
    Fiquei tentada a reler esse livro, agora!
    Um beijo.
    Fê Cardoso
    http://www.baseadoemlivros.com.br

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  7. Oque acontece com carlos?ele vira medico e depois?

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