Aristóteles e Victor Hugo definem a poesia de formas diferentes. Para Aristóteles, a tragédia e a comédia não se misturam e é a tragédia que representa a harmonia. E para Victor Hugo, harmonia é a junção da tragédia e da comédia (do grotesco e do sublime).
A poética de Aristóteles faz uma divisão de gêneros. Tragédia e comédia não se misturam, pois a tragédia representa o belo e é destinada aos superiores. Já a comédia, é destinada aos inferiores, pois provoca o riso, e o riso é um gesto vulgar. Portanto, ambas as artes devem manter-se separadas e jamais misturadas na visão de Aristóteles.
Victor Hugo quer “desfazer a poética”. Ele é contra a separação dos gêneros, pois defende a ideia de que harmonia é justamente a junção desses gêneros. Para Hugo, e ao contrário do que diz Aristóteles, o feio e o disforme também causam dor. É a junção do grotesco e do sublime que revelam a verdadeira poesia. O grotesco e o sublime convivem no gênero literário e dão origem ao drama. O homem é feito de corpo e alma, desse modo, nem tudo é belo no ser humano. É assim que Hugo o vê, como uma mistura, existe um dualismo.
Portanto, com base nessas características é possível reconhecer que, para Hugo, é necessário um contraste, para estabelecer o alto, é preciso do baixo. Só o belo, cansa. O disforme também provoca dor. Esses fatos são impraticáveis na visão aristotélica.



Oi Thamiris.
ResponderExcluirAcabei de cursar o primeiro semestre de Letras. A Poética, de Aristóteles, foi muito citada, mas ainda não cheguei a lê-la. Pecebi que é muito importante para a Literatura justamente por essa divisão de gêneros que ela estabelece.
Muita bacana essa distinção que você fez entre as ideias de Aristóteles e Victor Hugo. E gostei muito dessa nova coluna.
Abraços.
Olá!
ExcluirEspero que goste da leitura de "A poética clássica". É provável que leia Victor Hugo também.
Obrigada pela visita!