sábado, 21 de abril de 2018

A primeira vez que eu esqueci como se escreve uma palavra


A gente nem bem começa a vida de professora e faz umas coisas que olha... Sim, eu sei que é normal e que isso pode e vai acontecer em vários momentos da vida, mas eu preciso contar para vocês a primeira vez que eu esqueci como se escreve uma palavra em sala de aula. É que ler as crônicas da Ruth Manus me fez querer voltar a escrever crônicas e quando eu esqueci como se escreve aquela palavra, eu lembrei das minhas aulas na faculdade e das histórias semelhantes que as professoras contavam. Achei que uma boa forma de amenizar a saudade fosse escrever.

Sala de aula lotada, estudantes agitados, trabalho que tem que ser feito para ontem. Um estudante me chama e me pergunta como se escreve determinada palavra. Eu confirmo: é isso aí, está certo. De repente, as coisas não fazem mais sentido. Eu esqueci! Eu não lembro se está correto. Que palavra é essa? De repente me vejo no meio do universo, uma escuridão ao meu redor e eu não sei mais como se escreve essa palavra, socorro! Eu digo: ei, não é assim não, é assim... "Tem certeza, professora?" Ai que dor no coração! Não, eu não tenho, querido, me perdoa. Nesse momento eu não tenho certeza de mais nada. Ok, lembrei, é assim, tá certo. 

Se você for uma pessoa ansiosa como eu, você vai lembrar disso para o resto da sua vida, ou, no mínimo, pelos próximos dez anos. Depois você esquece porque sua memória começa a falhar. Nós, os ansiosos, transformamos essas pequenas coisas em coisas gigantescas, pois é, eu sei que é absurdo, mas bem... Se eu pudesse, eu não seria ansiosa, o fato é que eu não posso escolher essas coisas.

Minha nossa! Eu nunca vou chegar aos pés da Ruth se eu continuar desse jeito. Esse texto está péssimo, misericórdia! Mas como eu preciso compartilhar isso com vocês, ele vai assim mesmo, me perdoem pela falta de jeito, faz tempo desde a última vez que escrevi uma crônica. Agora eu iria tirar um cochilo e descansar, mas assim que deito na cama, o episódio da palavra me vem a cabeça novamente, e eu demoro a vida inteira para conseguir dormir.


2 comentários:

  1. Oi Thami
    Eu gostei da sua crônica. Deixa eu te falar, eu tranquei a faculdade de Letras. Eu tinha certeza que aquilo não era pra mim, que eu queria outra coisa, mas desde que você vem compartilhando as suas experiências em sala, tá me voltando o antigo desejo de criança de ser professora. Como resolver isso menina? Agora, com o Miguel pequeno, sem trabalhar e o Yan no último ano da facul não tem nem como começar ou voltar a nada, mas Letras voltou pro mapa de possíveis cursos.

    Vidas em Preto e Branco

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  2. Amiga isso é totalmente normal kkkkk s, ç,ss, z, x e c foram criadas para ferrar com a nossa vida de professores de língua. Kkkkk beijoquinhas

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