quinta-feira, 5 de abril de 2018

A primeira reunião de pais

Imagem | Fonte: Revista Galileu
Quando a gente começa a dar aula pela primeira vez na vida, tudo é uma novidade e um grande evento. Já passei pela parte de me apresentar aos alunos e dizer aquela tão esperada frase: "Serei a professora de Literatura de vocês este ano". Já passei, também, pela fase de me reunir junto com os demais professores da escola e discutir (na verdade, eu não falei nada, sabe, foi a primeira vez, nervosismo...) o calendário escolar, acertar detalhes, etc. Eis que, depois desses primeiros passos, presencio a minha primeira reunião de pais.

Me arrumei, peguei o ônibus ouvindo umas músicas bem aleatórias para me distrair, mas quem diz que eu consigo? É difícil, gente! Principalmente para os ansiosos, como eu. Pois bem, fui a primeira a chegar, eu abri o auditório, literalmente! O medo de me atrasar me rendeu meia hora de antecedência. Aí a gente chega, fica olhando para aquele ambiente vazio e se a gente fosse escrever o que estava pensando, daria um fluxo de consciência natural.

Chegam os demais professores, a diretora, e o clima vai ficando agradável. Começam a chegar os pais, começa a reunião. A diretora apresenta todos os professores, eu me levanto, desconfiada, é tudo tão novo! Esboço o meu melhor sorriso, pois eu estou feliz, de fato, mas nervosa e preocupada. Como proceder a partir de então?

A reunião acaba e os pais começam a me procurar para saber como estão indo seus filhos. Eis que chega o primeiro pai e diz: como vai a minha filha, a fulana, do ano tal? Meu Deus! Eu não lembro quem é! A minha memória é péssima, eu fico envergonhada. Isso é normal? É normal, sim. A gente leva um tempinho para gravar o nome de todos os alunos. Depois eu ri da situação, na hora foi preocupante, mas deu tudo certo. O melhor foi quando um pai, provavelmente percebendo o meu desespero por não lembrar de alguns alunos, aponta o celular pra mim, mostra a foto de um garotinho e diz: esse é o meu filho, como ele está indo? Achei engraçado e muito positivo. Obrigada, pai! 

Com os demais pais e mães, foi tranquilo. Eu, felizmente, lembrei dos filhos deles e consegui contar um pouquinho de seus comportamentos em sala de aula. Acabou. Depois de ter terminado, parei para refletir sobre aquela noite. Foi tão bacana ver o sorriso de uma mãe ao me ver elogiando seu filho, eu me senti quase tão orgulhosa quanto ela. É por isso que eu digo: estudantes, estudem! Suas mães sorrindo de orgulho é valioso demais, me encheu de emoção. Imagina o quanto isso não pode emocionar vocês, que são os filhos. Estudem, estudantes, estudem!


3 comentários:

  1. Oi Thami
    Não sei precisar em qual ponto do texto e nem o motivo, mas meus olhos arderam aqui com lágrimas. Eu estava estudando Letras antes de engravidar do Miguel, mas eu iria parar de qualquer forma. Sinto que dar aulas não é pra mim, mas ai vejo relatos assim e penso: Cara, eu seria uma professora muito boa. Eu ia tratar todas aquelas crianças como se fosse minhas, eu sentiria orgulho deles. Será que estou mudando de ideia de novo? Sinceramente, eu não sei.
    Força pra ti e as próximas reuniões serão mais de boas e logo você aprende o nome dos alunos.
    Um beijo enorme

    Vidas em Preto e Branco

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    Respostas
    1. Oi, Lary!
      Só é difícil quando muitas dessas crianças não reconhecem o quanto a gente faz por eles, mas tudo bem, isso faz parte. O importante é a gente se manter firme, manter o amor pela educação lá em cima, aí a gente enfrenta tudo isso.
      Hahaha, logo eu aprendo os nomes!
      Obrigada pela visita linda. ♥
      Beijão

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  2. Olá. Amei seu texto. Engraçado este do outro lado né.
    Você ainda promove o projeto Escrevendo Sem Medo?
    Eu amava escrever nele. Bjs linda, que bom que continua escrevendo.

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