terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Resenha: As fantasias eletivas - Carlos Henrique Schroeder

As Fantasias Eletivas

Título: As fantasias eletivas
Autor: Carlos Henrique Schroeder
Editora: Record
Nº de páginas: 111
Ano: 2016

As fantasias eletivas, de Carlos Henrique Schroeder, é um livro rápido, especial e suficiente, mas eu agradeceria se existisse mais uma porção de páginas para que eu pudesse continuar lendo, lendo e lendo...

É partindo da vida complexa de Renê, um recepcionista noturno de hotel em Camboriú, que tudo se inicia. Nós, os leitores, acompanhamos partes da vida de Renê, misturadas e embaralhadas, numa confusão gostosa de se ler. Renê enquanto recepcionista, Renê enquanto pai afastado, Renê enquanto filho, Renê enquanto ex-marido e namorado, Renê enquanto inimigo, Renê enquanto amigo de Copi, que para mim, é a personagem secundária mais protagonista desta obra. 

Copi é uma travesti que frequenta a frente do hotel em que Renê trabalha, e ela faz de tudo para chamar a atenção dele, que excomunga e se enoja com a presença dela (apenas por um tempo). Copi e Renê se tornam amigos. A partir disto, o leitor é convidado a acompanhar as reflexões de Copi, enquanto a história de Renê se desenrola.

"As ruas, que já foram significado de liberdade e revolta, hoje significam medo e violência." (p. 61)

Eu li As fantasias eletivas em duas horas, no máximo. É uma leitura extremamente rápida, a escrita de Schroeder é confortável e convidativa e eu estou apaixonada. Eu adorei cada parte deste livro. Adorei, inclusive, o fato de algumas respostas não serem dadas ao leitor. Em alguns momentos você se questiona: “mas por qual razão isso aconteceu?”, e o seu questionamento não é respondido. A resposta fica oculta, fica a cargo do leitor atribuir uma resposta para seus questionamentos. Em outros livros, eu diria que isso são pontas soltas, sem sentido, mas isso faz de As fantasias eletivas um livro especial.


Copi é uma travesti, eu preciso pontuar este fato, pois é tão difícil encontrarmos esse grupo em obras literárias. E Copi é essencial para a história, ela é única, é a melhor, eu adorei a personalidade de Copi, suas reflexões incríveis e seu senso de humor. Mas ao contrário do que você deve imaginar, não acompanhamos Copi unicamente enquanto travesti, mas sim, enquanto ser humano. Outro ponto bacana de As fantasias eletivas

"[...] mas o que é a justiça? É coisa de homens, não de deuses, nem de travestis." (p. 53)

Antes de finalizar, expus que este livro se passa em Balneário Camboriú, e eu aprecio muito o fato de ter contato com livros do meu estado, Santa Catarina. É sempre bom ter este encontro com escritores catarinenses, conhecê-los e, na sequência, valorizá-los.

As fantasias eletivas é um livro especial: eis o melhor adjetivo para descrevê-lo. Ele é duro, bagunçado e nos enche de questionamentos sem respostas prontas. É único e singular, e existe uma grande chance de você se apaixonar por ele.


SCHROEDER, Carlos Henrique. As fantasias eletivas. Rio de Janeiro: Record, 2016.


2 comentários:

  1. Oi, Thami!
    Gente, fiquei super curiosa nessa amizade entre esses dois personagens.
    O livro é curtinho, mas pelo que vi não deixa nada a desejar.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    Respostas
    1. Oi, Lu!
      É uma amizade muito bacana, eu adorei, você iria adorar, tenho certeza.
      Beijocas

      Excluir

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