quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Resenha: O espinho da Bouganvillea - Mônica Candiani



Sinopse: Laura foi criada em um ambiente conservador e machista, cresceu em um pequeno bairro onde todos se conheciam. Aprendeu desde cedo que uma mulher de valor deve casar e ter filhos. Aos 15 anos, ela se apaixona por Jorge, um rapaz charmoso e desejado por todas. Sua insegurança a faz acreditar que o rapaz jamais se interessaria por ela, no entanto, certa noite, uma aproximação entre os dois de maneira inesperada mudará para sempre a vida de Laura. O espinho da Bouganvillea é uma história que nos faz questionar as aparências, certos valores, e que nos leva até o cerne de uma relação abusiva.



O espinho da Bouganvillea, da autora Mônica Candiani, publicado pela Metanoia Editora é, decididamente, uma apunhalada no peito. E imaginem só: essa apunhalada é a realidade de milhares de mulheres!

“Vivemos de maneira miserável por conta dessas idealizações. Não deveríamos de modo algum projetar no outro os nossos desejos.” (p. 25)

Laura é uma jovem de quinze anos sem muitos atrativos físicos para os garotos, ela é solitária e sem graça. Jorge, o oposto de Laura, é garoto charmoso que se tornou o amor da vida dela. Até certo ponto, Jorge só existia para Laura em seus sonhos perfeitos, mas em meio a acontecimentos inusitados, Laura e Jorge finalmente se aproximam e se casam, mas seria infinitamente melhor se ele continuasse apenas em seus sonhos.

“Além de trabalhar fora como professora, dentro de casa eu exercia as funções de faxineira, cozinheira, lavadeira, psicóloga e esposa. Era muita pressão em cima de mim, porque a rua toda tinha pena do Jorge, e se ele espirrasse, eu seria automaticamente responsabilizada pela sua imunidade fraca.” (p. 27)

Não, este não é um livro sobre o amor. O espinho da Bouganvillea é um livro sobre a violência física e psicológica contra a mulher. É um livro sobre abuso sexual e estupro. É um livro sobre o machismo e as suas influências na sociedade. 

É comum que as pessoas julguem mulheres que são agredidas dentro de casa por não denunciarem seus companheiros. Mas julgar é sempre tão simples, tão acessível, tão espontâneo! Me parece que as pessoas se esquecem muito facilmente de serem empáticas, de se colocarem no lugar da mulher e tentar sentir o que ele está sentindo: medo, amor, esperança, ódio, desgraça, expectativa... Sim! Tudo bem misturadinho, pois ao mesmo tempo que seu companheiro a faz acreditar que ela é louca e que está exagerando quando chora descontroladamente por causa dele, também a faz sentir que ele se arrepende de ser tão canalha. Por vezes quase senti raiva de Laura, mas foi apenas fazer o exercício de me colocar em seu lugar, que a única coisa que eu passei a sentir, foi vontade de abraçá-la.

“Nós temos uma estranha tendência a nos apegarmos ao habitual e nos custa muito sair da nossa zona de conforto, ainda que não seja tão confortável assim. Nos conformamos com a dor e o sofrimento por comodismo, porque o que é novo causa estranhamento”. (p. 34)

O espinho da Bouganvillea me fez sentir uma série de emoções misturadas, mas durante todo o enredo, eu sofri. Sofri porque sei que Laura não é uma em um milhão, sofri porque a sociedade machista nos cobra coisas que jamais deveriam ser cobradas, sofri porque nós, mulheres, não somos respeitadas, corremos o risco de sermos estupradas diariamente, andamos nas ruas com medo o tempo inteiro, somos julgadas pelo que vestimos e pelas escolhas que fazemos. Mas, no final disso tudo, Candiani deixa bastante claro que não podemos desistir, temos que nos unir e nos apoiar, assim, certamente conseguiremos uma vitória. Então depois de tanto sofrer, eu sorri.


Com apenas 81 páginas, Candiani deu origem, com muita maestria, a um caso extremamente frequente nos dias atuais. Sua escrita é confortável e instigante. Os capítulos do livro são curtos e os fios da história estão muito bem conectados. A edição, no geral, está muito bonita! 

Concluo esta resenha pedindo que, caso você tenha oportunidade, não deixe de ler O espinho da Bouganvillea, agradeço muito a Ana por ter me emprestado esse livro tão maravilhoso e tão necessário.


4 comentários:

  1. Oi, Thami!
    Nossa, esse livro parece ser bem pesado e ótimo! Já quero!!!!
    Jura que é só 81 páginas? Com certeza dá gostinho de quero mais.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi, Lu!
      É, tem uma carga bem pesada por conta da temática, mas é sensacional! E sim, só 81 páginas. ♥
      Beijocas

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  2. Thamiris parabéns pela leitura. Eu não conhecia esse livro e fiquei bem curiosa. Com certeza livros assim nos alertam e nos ajudam a formar uma opinião sobre algo tão chocante e ainda atual (infelizmente). Bom saber que apesar de um assunto dramático a autora conseguiu manter uma certa leveza no texto. Dica anotada.

    Leituras, vida e paixões!!!

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    Respostas
    1. Obrigada, Aline.
      Fico feliz que você tenha ficado curiosa para ler o livro. Acredito que você iria gostar!
      Beijos

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