quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Resenha: Batom no dente - Maria Helena Mossé

Sinopse: A mulher e suas dúvidas, amores e dissabores. Batom no dente, livro de estreia da escritora e psicanalista Maria Helena Mossé, como o título sugere, traz uma galeria de personagens femininos em situações de insatisfação, inadequação ou expectativa. Afinal, o que querem as mulheres?, indagaria o fundador da psicanálise Sigmund Freud. A autora não tenta responder, mas apresenta, através de sua prosa madura e elegante, rica em recursos narrativos, protagonistas de variadas idades e classes sociais – inclusive dois homens preocupados com o que as mulheres e os amigos pensam deles – que se inquietam, questionam e se movem em busca de realizar seus desejos. Como a moça do interior que ascende a dondoca na Barra da Tijuca e vai procurar a amiga que a desafia, a ex-esposa que finalmente se livra do jugo subliminar do ex-marido, a mulher casada e entediada que sai para passear com o cachorro numa noite chuvosa e vislumbra um grande amor.


Resenha publicada originalmente no blog Um Oceano de Histórias.

Batom no dente é um livro escrito pela psicanalista e artista plástica Maria Helena Mossé. Nesta obra, nos deparamos com os mais variados tipos de pessoas e as mais variadas situações nas quais elas se envolvem, divididas em uma seleção de 21 contos em 108 páginas.

A escrita de Mossé é agradável e cotidiana. Os temas escolhidos por ela para comporem seus contos são interessantes, reais e palpáveis. Aliás, a respeito da estrutura dos contos, tenho algo importante para dizer: estou encantada! Há contos de apenas duas folhas, frente e verso, mas nenhum ponto solto. Escrever é difícil. Num texto bem escrito, o início deve consentir com o final. E todos os contos escritos por Mossé não contém mesmo, nenhum ponto solto. Repito: estou encantada com a escrita da autora. 

“Na fala me perco, mergulho em brumas, cada sílaba torna-se pegajosa, o pensamento fica frouxo e furado. Minha verdade é o que eu escrevo.” (MOSSÉ, 2016, p. 42)

Um ponto muito interessante de Batom no dente é que alguns contos se complementam. Por exemplo, os contos “A visita” e “Sobreviventes” têm personagens em comum, bem como “A professora” e “Robinson”. Quando me dei conta deste fato, fiquei ainda mais maravilhada com a obra. 

Você não sabe, mas há grandes chances de que determinada situação descrita pela autora seja vivenciada por você no futuro. Entre os temas explorados por Mossé, há o ato de envelhecer, a doença, o medo da morte, a imaginação fértil, a saudade da juventude e muito mais.

“O mapa da seca” é um dos meus contos preferidos de Batom no dente. Neste conto, Mossé da vida a mulheres autossuficientes, que amam acima de qualquer coisa, a si mesmas. Eu me identifiquei com Theresa gostaria de ser, em alguns aspectos, como ela no futuro. Há outro conto que eu adorei, o “A senhora de preto”. Nele, Mossé fala de saudade e as possíveis formas de lidar com os acontecimentos inevitáveis da vida. Enfim, marquei vários contos como “preferidos”, mas não vou poder falar de todos por aqui, pois isso estenderia demais a resenha. Deixarei os títulos dos meus preferidos: “Blecaute”, “Vermelho-sangue”, “Entre lençóis”, “A visita”, “De olhos bem fechados” e “The end” – este último m fez suspirar.


Falamos aqui, de um livro extremamente bem escrito. Falamos aqui, de uma escritora brasileira que merece aplausos. Com Batom no dente, você vai viajar por diversos lugares e vai sentir os mais variados sentimentos. Obrigada, Maria Helena Mossé, por escrever. A sua escrita encanta, prende e inspira.


Referência: MOSSÉ, Maria Helena. Batom no dente. Rio de Janeiro: 7letras, 2016. 108 p.



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