sábado, 18 de fevereiro de 2017

Resenha: A árvore que dava dinheiro - Domingos Pellegrini (Vaga-Lume #06)


Sinopse: Quem disse que dinheiro não cresce em árvores? Os habitantes de Felicidade herdaram de um velho sovina uma semente mágica. Nasceu uma árvore de onde as notas brotavam em grande quantidade! A euforia foi geral! Já pensou? Enriquecer de repente, depois de uma colheita rápida e milionária?! Ninguém ia querer perder uma oportunidade dessa. Será mesmo? Um açougueiro que só come peixe, uma velha empregada doméstica e um mendigo sempre bêbado têm outra opinião... Venha descobrir por quê. Muitas surpresas esperam por você nessa cidade incrível, onde o dinheiro não trouxe a felicidade.




Com uma narrativa bem humorada e reflexiva, Domingos Pellegrini nos leva até Felicidade, um lugar afastado, pequeno e com poucos moradores. Em Felicidade, vivia um velho solitário e com muitas posses, mas extremamente pão-duro. É uma grande surpresa quando o velho morre e deixa suas moradias para os próprios inquilinos, mas ele tem um pedido escrito no testamento: os moradores devem plantar três sementes deixadas por ele na praça em uma cerimônia pública. No entanto, quando o cartório revela esse pedido aos moradores, eles estão ocupados demais comemorando a morte do velho e as consequências dela, ou seja, ninguém estava interessado no pedido do velho. Então o próprio cartório, observando aquela algazarra toda e considerando aquilo uma cerimônia pública, caminha até a praça, planta as sementes e vai embora. 

"No sexto mês desapontou no galho mais alto uma folha colorida, que começou a abrir e não era uma folha, era uma flor de uma pétala só, mas só o vento sabia: a pétala era uma nota de dinheiro."

Rapidamente e com a ajuda do xixi de um cachorro, a árvore ia se desenvolvendo. Em pouco tempo já estava grande o suficiente e florescendo. Então, num dia qualquer, a primeira pétala se transformou numa nota de dinheiro que caiu no chão. Não demorou muito para que as outras pétalas se transformassem também e tivessem o mesmo destino. A cidade enlouqueceu, todo mundo queria o “seu” dinheiro.

"Mas alguma coisa não estava certa: ninguém falava com ninguém, todo mundo de mãos nas costas e olho no chão, como se de repente amanhecessem filósofos e andassem pensando. Pensando nisso, ela também olhou o chão e achou outra nota. O coração quase saiu pela boca; agachou, catou, enfiou nos peitos e não foi atrás do marido, virou filósofa também."

Uma das melhores coisas desse livro é que, apesar de ele ser fantasioso (uma árvore que dá dinheiro), tudo na estória faz muito sentido, e dadas às circunstâncias em que parte da espécie humana ainda se encontra, a reação das pessoas ao encontrar a árvore é perfeitamente esperada, mesmo sendo tão egoísta. Ninguém (exceto um açougueiro, um bêbado e uma empregada) se preocupou em entender aquele fenômeno, ninguém sequer se lembrou de que a árvore se tratava da árvore plantada com as sementes do velho, todos queriam apenas tirar o seu lucro. Desde o princípio, eu fiquei esperando pelo questionamento de alguém. Questionamento esse que não veio.

"Eles que plantassem árvores à vontade, inclusive as que davam dinheiro: - Quanto mais árvores no mundo, melhor."

Muitas promessas e planos foram feitas em cima da árvore que dava dinheiro. Mas junto com ela, surgiram brigas entre casais e muitas acusações, tudo em cima da esperança de enriquecer. E quanto mais as pessoas conseguiam dinheiro, mais elas gastavam, como já era de se esperar. O que isso gerou? Um desequilibro enorme nas economias de todo mundo. E é aí que o autor, implicitamente, nos dá um parecer do significado de economia e inflação.

A árvore que dava dinheiro nos dá uma visão bem ampla do que acontece quando as pessoas deixam a ambição falar mais alto que qualquer outra coisa, e o que pode acontecer se não soubermos administrar bem o dinheiro que possuímos. É somente com esforço e dedicação que conseguimos alcançar a glória. De nada adianta ficarmos esperando pelo sucesso se não o provocarmos, com força e honestidade. O livro também trabalha a ganância e o quanto as ações motivadas por ela nos levam ao caminho errado. Tudo isso, numa narrativa leve, confortável e engraçada.


4 comentários:

  1. Olá Thamiris! Esse livro provavelmente mostra o que aconteceria se todos tivessem livre acesso ao dinheiro, ficariam enredados em pegar cada vez mais e esqueceriam de viver. O tema é interessante. Abraço!

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    1. Oi, Maria.
      Seu comentário resume os acontecimentos da obra. É uma leitura muito válida.
      Beijos

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  2. Oi Thami,
    Como já te disse, tenho muita vontade de ler os livros dessa série, pois acho que eles são bem bacanas. Gostei muito da premissa desse livro e achei muito legal o livro mostrar o que acontece quando deixamos a ambição falar mais alto - e muitos não fazem isso sempre?
    Beijos

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    1. Oi, Bru!
      Sim, e eu sei que você vai gostar de muitos deles.
      Beijocas

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