sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Diário de leitura: "Menino de Engenho" - José Lins do Rego

Como vocês sabem, estou cursando Letras. Neste ano, fiz um diário de leitura para a disciplina de Literatura III. O livro que escolhi ler se chama Menino de Engenho, e foi escrito por José Lins do Rego. Eu adorei fazer esse trabalho, por isso decidi compartilhá-lo com vocês.

Atenção! Por se tratar de um diário de leitura, essa postagem contém spoilers da obra Menino de Engenho.


Sobre o autor: José Lins do Rego nasceu em 3 de julho de 1901, na Paraíba. Em 1923 publicou artigos em suplementos literários. Formou-se em advocacia aos 22 anos. Seus primeiros romances foram Menino de Engenho (publicado pela primeira vez em 1932), Doidinho e Banguê. De modo geral, Rego publicou doze romances, um volume de memórias, livros de viagem, de literatura infantil, de conferências e de crônicas. José Lins do Rego morreu em 12 de setembro de 1957.

Resumo da obra:  Carlinhos perde sua mãe aos quatro anos de idade. Ele passa a morar com o seu avô, dono de um engenho. Menino de Engenho relata, portanto, acontecimentos da vida de Carlinhos dos quatro aos doze anos idade, quando sai do engenho para ir à escola. A obra é de grande importância, pois é a marca inicial de José Lins do Rego na literatura, além de descrever com precisão alguns detalhes de como era a vida das pessoas na época em que a história se passa.


Data: 25/09/16 
Local: Criciúma 

Impressões de leitura: Iniciei a leitura de Menino de Engenho hoje. É o meu primeiro contato com a escrita de José Lins do Rego. Antes de iniciar a leitura, eu tive que pesquisar o que era a palavra “engenho” no dicionário, pois eu não sabia o significado. Descobri estar ligada a cana de açúcar e a produção de açúcar em si. 

Ainda não pesquisei muito a respeito do autor, mas li que ele ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha quando estreou Menino de engenho em 1932. 

Eu li nove capítulos hoje. O capítulo 5 me chamou a atenção, pois o protagonista, ao se mudar para o engenho do avô, fica extremamente encantado com o funcionamento do engenho. E neste capítulo, o autor descreve de forma breve o funcionamento do local onde se passa o livro. 

O meu capítulo favorito, dos lidos até então, foi o capítulo 8. Fiquei emocionada com o que o menino falou a respeito da prima Lili, na página 46. Foi lindo e triste ao mesmo tempo, pois o menino descreve a morte da pequena prima. Terminei de ler o capítulo pensando que ele mal perdeu a mãe e agora perde uma prima tão querida. 

Decidi fazer uma pausa quando concluí o capítulo 9. Eu sou bastante detalhista e nesse capítulo, o menino e seus primos matam pássaros com um “cacete” por pura diversão. Entendo que se trata de crianças travessas num tempo completamente diferente de atualmente, mas não consigo arranjar justificativas para quem comete maldades contra animais, portanto, me senti desconfortável e optei por continuar a leitura outro dia.

Data: 06/10/16 
Local: Criciúma

Impressões de leitura: Ontem eu consegui ler quatro capítulos de Menino de Engenho. Se eu não tivesse tanta coisa para fazer, certamente já teria concluído a leitura, que por sinal, está muito gostosa. No capítulo 12, houve algo que me fez parar por um instante: 

“Aquela injustiça brutal despertava em meu coração puro de menino os impulsos mais cruéis de desforra.” (REGO, 2009, p. 53) 

Nesse capítulo, o menino é agredido injustamente. E essa injustiça o faz começar a ter pensamentos ruins. Isso me fez refletir, pois algumas vezes, as pessoas más são más porque alguém fez algo de ruim para elas. Não que eu ache que isso justifica maldade. Nada justifica. Mas essa cena me fez parar e pensar um pouco sobre essa questão.

Data: 08/10/16 
Local: Criciúma 

Impressões de leitura: Menino de Engenho vem me surpreendendo bastante. O livro aborda uma variedade enorme de assuntos. Não sei ao certo como se caracteriza a personalidade do nosso protagonista, Carlinhos. Muitas coisas ruins o cercam: além da morte da mãe e da prima, a primeira professora dele é agredida pelo marido, fato que causa muita dor no menino. 

Encontrei, também, no capítulo 15, uma situação praticamente explicita de zoofilia. Mas, é claro que isso não foi abordado de uma forma séria, como poderia ser. O autor simplesmente narrou a relação dos homens com os animais como se fosse algo comum e aceitável, coisa de moleque. Sofri nesse momento. 

O livro também aborda a religião do menino, como crença que se segue sem conhecer os princípios. E também traz lendas, como a do “lobisomem”. Fiquei muito presa à leitura nessa parte, pois meus pensamentos migraram para quando eu ainda acreditava em lobisomens, me fez pensar nas histórias que a minha avó me contava, etc.. 

Data: 09/10/16 
Local: Criciúma 

Impressões de leitura: No capítulo 22, nosso narrador, o menino de engenho, fala um pouco sobre o que restou da escravidão. Entre os capítulos 24 e 25, o menino começa a fazer alguns questionamentos acerca de si mesmo, além de compartilhar seus sentimentos. Ele sente muita falta da mãe e se diz um menino triste. 

“Era um menino triste. Gostava de saltar com os meus primos e fazer tudo o que eles faziam. Metia-me com os moleques por toda parte. Mas, no fundo, era um menino triste. Às vezes dava para pensar comigo mesmo, e solitário andava por debaixo das árvores da horta, ouvindo sozinho a cantoria dos pássaros” (REGO, 2009, p. 94) 

No capítulo 25, o menino também fala do medo que sente da morte. Fiquei um bom tempo pensando sobre isso, já que a morte é um assunto do qual eu também tenho medo. 

Data: 13/10/2016 
Local: Criciúma 

Impressões de leitura: Concluí a leitura hoje. O foco do livro, afinal, é narrar a vida de Carlinhos durante o tempo em que vai morar no engenho do avô até sair para ir à escola. Então, nos últimos capítulos, Rego traz uma variedade de acontecimentos da vida de Carlinhos. Por exemplo: a sua primeira decepção amorosa, o seu primeiro contato com o corpo de uma mulher, as suas impressões a respeito da escravidão, a sua fraqueza como ser humano, os seus desejos e os seus questionamentos, tudo isso decorrendo da tristeza de Carlinhos pela morte da mãe e das dúvidas acerca do destino de seu pai. 

Referência: REGO, José Lins do. Menino de engenho. 99. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. 158 p.

4 comentários:

  1. Oii!

    Achei a ideia bem legal! Assim fica uma resenha mais detalhadas com suas impressões ao longo da estória. Gostei muito disso.
    Apesar de tudo não sou muito fã de livros assim.
    Mas continue fazendo esse tipo de resenha, porque é bem legal!

    Beijos

    ooutroladodaraposa.com.br

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    1. Oi, Raí!
      Que bom que gostou do diário. ❤
      Beijos

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  2. Olá Thamiris! Esses trabalhos de faculdade nos causam a ilusão de que cursar Letras é só diversão...rs. Entretanto, sabemos que não é bem assim. Que ideia excelente publicar o diário de uma leitura. Enquanto lia seu diário, parei e conclui que nunca fiz um diário de leitura, em 2017 vou experimentar esta ideia. Notei que todos os momentos de dificuldade durante a leitura foram causados por fatos tão comuns em outras épocas e espantosos em nosso tempo. Matar passarinhos foi um hábito muito praticado antigamente, principalmente nas fazendas, era uma forma de treinar a mira. Cheguei a pegar uma parte desta época, na década de 1980, mas hoje penso sobre a crueldade disso. Ler os clássicos tem muitas vantagens, mas de vez em quando esbarramos em afirmações que ferem muito nossos princípios atuais, como a crueldade com os animais, a subjugação da mulher e por aí vai. Abraço!

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    1. Oi, Maria!
      É só uma ilusão mesmo, você está coberta de razão.
      Pois é, mesmo sabendo que se tratam de costumes de outras épocas, não consigo ler e achar isso algo natural.
      Obrigada pelo comentário, adorei saber sua opinião. E depois me conte como foi a experiência do diário de leitura.
      Beijos

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