quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Da arte de ser mãe

Hoje eu trouxe mais uma crônica para vocês. Dessa vez, quem escreveu foi a minha amiga Karla Ribeiro. Eu gostei muito desse texto, então não podia deixar de compartilhá-lo com vocês. Leiam até o final, vocês vão adorar.


"Você conhece aquelas mães que, ao falar da maternidade, fazem com que o leitor derrame lágrimas de tanta melancolia que existe em suas palavras? Pois é, eu não sou dessas!

Recentemente meu filho Isaac olhou para mim e disse: "Mãe, quero uma festinha de aniversário na rua, com brinquedos de pular e cheia de gente"! É claro que ele falou isso porque todas as outras festinhas de aniversário dele foram dentro de casa e bem simplesinhas.

Eu logo comecei a pensar como faria essa festinha para ele. Logo comecei a vender tudo o que eu tinha. Vendi meu teclado, meu microfone, minha bicicleta e alguns vestidos também, tudo para satisfazer a vontade dele. Mas por favor, deixe-me te explicar melhor porque eu precisei vender meus objetos.

Há quase cinco anos Deus me fez mãe. Eu não tive uma gravidez daquelas que vemos nas novelas, onde a mãe fica no quarto sorrindo sozinha, olhando as roupinhas do bebê e tentando descobrir qual será o seu cheirinho. Não, eu fui a mais objetiva possível, e não pense que eu não amava meu filho, eu amei a ele desde o primeiro momento que soube que estava grávida, mas porque eu me considero (ou considerava), uma mãe diferente das que conheço? Eu enjoei a gravidez toda, perdi bastante peso, e tive um parto “normal”, mas até ai tudo bem.

Logo que meu filho nasceu o meu mundo não era mais meu, era dele, só dele. Nos primeiros cinco dias eu não dormi, eu ficava olhando pra ele com medo de algo ruim acontecer, sei lá. Ele poderia se afogar ou querer alguma coisa e eu tinha que ter a certeza que ele estaria bem. O meu leite custou a descer, eu queria muito poder amamentar meu filho, caso contrário, não estaria completa. Até que Deus me ouviu e o leite começou a descer com força, tanta força que eu não tinha mais roupas para colocar, porque molhava tudo. E acredite, descabelada, com cheiro de leite azedo e com a barriga ainda flácida, eu era a pessoa mais feliz do mundo, e como eu estava realizada!

Quando ele completou seis meses eu pensei que tudo poderia ser como antes, então voltei a trabalhar e ele ficava com minha mãe. Mas começaram as gripes, resfriados, viroses, e só então percebi que tudo seria diferente. Tomei a decisão e resolvi ficar em casa com ele. 

Quando ele completou três anos eu comecei a faculdade de Letras. Comecei a lutar comigo de novo. Como eu o colocaria na creche? Meu pensamento era só que ele não ficaria bem sem mim. Eu o levava de bicicleta todos os dias, debaixo de um sol com mais de trinta graus, ou com chuva. Meu coração doía, mas eu precisava continuar. Depois de um ano compramos um carro, ele foi criando imunidade e aos poucos as coisas foram se ajeitando.

Esse ano eu comecei um estágio em uma escola, mas logo no primeiro mês, eu desisti. Não suportei ver meu filho sair de casa 7h e chegar depois das 18h30min., eram quase doze horas dentro de uma sala, e isso não era justo com ele. Então mais uma vez eu abri mão de mim. Hoje eu estou sem renda fixa, às vezes eu trabalho à noite como "garçom" para ter um ganho, mas mesmo assim, eu acabo comprando alguma coisa pra ele e não sobra nada pra mim.

Agora que pensei que as coisas estavam se ajeitando, ele vem com essa de querer festinha. Eu sem renda, sem ter de onde tirar, resolvi vender tudo, até mesmo as coisas que eu considerava importante. Porque “a arte de ser mãe” é assim, não se pode ser egoísta, nem pensar nos nossos próprios interesses, mas sim, viver uma vida de renúncias.

A propósito, vendo homem branco, trinta e dois anos de idade, bonito, sabe lavar, passar, limpar a casa, é muito honesto e atende pelo nome de Douglas. De onde eu conheço? É meu marido! Se alguém tiver interesse, favor entrar em contato comigo."

Por Karla Ribeiro.

4 comentários:

  1. Melhor crônica da vida! A arte de ser mãe não é nada fácil. Temos que renunciar a nós mesmas por alguém tão pequeno e tão cheio de vontades. Meu Miguel é cheio de personalidade e com apenas 1 ano e 7 meses parece já saber bem o que quer e luta por isso. Nem sempre tenho paciência pra isso e acabo me descontrolando, mas quem nunca?
    Ai ele dorme e reina a paz. E eu? Sinto saudades dele.


    Vidas em Preto e Branco

    ResponderExcluir
  2. Karlinha melhor pessoa kkkkk sei wue tudo é verdade porque estou junto contigo todos os dias. Realmente amiga da "arte se ser mãe" tu és uma grande artista.

    ResponderExcluir
  3. Olá! Melhor crônica sobre maternidade que li e com um final tão engraçado. Ser mãe exige muita coragem, porque exige doação, persistência. Ser mãe é testar todas as suas capacidades, sabendo que falhar pode ter um alto preço. Abraço e parabéns para quem escreveu o texto! ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Minha amiga Karla Ribeiro é um arraso mesmo! <3

      Excluir

Seu comentário é muito importante. Obrigada!

Obs.: Caso você não tenha uma conta no Google e não saiba como comentar, escreva o que deseja na caixa de texto acima e na opção "comentar como" selecione "Nome/URL", preenchendo somente o campo nome.

E-mail para contato: thamirisdondossola@hotmail.com