quinta-feira, 30 de junho de 2016

Grandes Mulheres da Literatura #03 - Capitu

Meus queridos leitores, a nossa grande mulher da literatura de hoje é aquela que tem os olhos mais conhecidos e invejados de todos os tempos: olhos de ressaca. A nossa grande mulher da literatura de hoje possui um par de olhos de cigana oblíqua e dissimulada. A nossa grande mulher de hoje é, obviamente, a linda, incrível e inesquecível Capitu.



Sabemos que o papel feminino nos séculos XVIII e XIX era bastante padronizado. As mulheres eram rotuladas e não tinham personalidade, elas apenas faziam o seu papel de mulher: casar virgem, ter filhos, viver para o marido e ser escrava da sociedade machista. Mas esse padrão é quebrado quando se trata de Capitu. 

Machado de Assis nos trouxe, em Dom Casmurro, uma mulher cheia de personalidade. Capitu, sem esforço algum, se desvia daquela idealização feminina tão ridícula. Capitu é real. E não é por acaso que a obra Dom Casmurro é uma obra marcante do realismo brasileiro. Capitu era observadora, estava sempre atenta a tudo o que estava acontecendo a sua volta. Além do mais, também era ousada, não pestanejou diante de armar algum plano para que seu amado Bentinho não fosse para o seminário, enquanto que ele permanecia amedrontado e sem reação. Capitu é admirável por sua coragem, sua determinação e sua resistência.

“Como era possível que Capitu se governasse tão facilmente e eu não?” (ASSIS, 2006, p. 119) 

Capitu, ao longo das páginas de Dom Casmurro, demonstrou interesse no casamento por uma questão de status e possuía razões para isso. No entanto, isso não a crucificaria se ela não tivesse razões.  Que ser humano não possui defeitos? Que ser humano não sente inveja, vontade de subir na vida, de expôr (ao menos em alguns momentos) o quanto se é feliz? Todos passamos por isso. Capitu, inclusive, apesar de viver apenas em nossos pensamentos, também possuía deslizes. A arte imita a realidade. Todos temos pensamentos ruins, ideias egoístas. É natural do ser humano.  

Maria Fernanda Cândido e Letície Persiles representando Capitu na minissérie Capitu
Quando penso em Capitu, penso em uma grande mulher. Uma mulher forte, inspiradora, que quebrou padrões e desconstruiu pensamentos preconceituosos ao longo do tempo. Afinal, Capitu é Capitu. Isto é...

Referência: ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Escala Educacional, 2006. (Nossa Literatura).

10 comentários:

  1. Oi, Thami!
    Ai, Capitu... Realmente ela é uma referência de mulher forte na nossa literatura.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção de aniversário do blog Crônica sem Eira

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  2. Heroína de um dos meus livros favoritos, ela é um exemplo de mulher forte até hoje.
    E eu adorei a atuação da atriz que a fez mais jovem na série<3
    http:/www.umavidaemandamento.blogspot.com.br/

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  3. Capitu simplesmente me inspira. Amo a Lucíola mas esta é toda romântica, não parece tão real, já Capitu é simplesmente Capitu.
    💖

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    1. Você me fez pensar em outra mulher para os próximos post, Ana!
      Capitu é Capitu. ❤

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  4. Que série interessante! Amei, tive até vontade de roubar haha Eu adoro a Capitu e "Dom Casmurro" é um livro tão incrível quanto ela. Machado soube mesmo tanto tempo atrás construir uma personagem forte, independente e inteligente, coisa que poucos autores conseguem dar às suas personagens femininas até hoje. Adorei o blog, seguindo... beijoss

    literalizza.blogspot.com

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    1. "Dom Casmurro" é, de fato, incrível!
      Obrigada pela visita e pelo carinho.
      Beijos

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