quinta-feira, 12 de maio de 2016

O que der na telha - com DeCastro #22


"Recostada na poltrona, feito um gato aos pés da dona, contemplava aquele corpo seminu dobrado sobre a pia do banheiro. A leveza dos movimentos lembravam as canções de Debussy... Uma leve brisa primaveril... o ruivo do sol arrebentando por entre as janelas tingia a silhueta de N. Café fumega... Seus olhos miúdos e a escassez de boca e nariz conferem-na traços pudicos e pueris. Quando a vê, descamisada e ardente, com os seios a exalar um aroma de fruta silvestre, pincha-se sobre ela, laça-a com as pernas feito pinça e enrosca os braços em torno de seu pescoço. E. sente a vulva peluda dela roçar-lhe a barriga para cima e para baixo enquanto a beija... e tudo aquilo as queima por dentro. Quando abraçadas ardiam em chamas.

A caminho para o quarto foram esbarrando em coisas. Feito uma gatuna, N. consegue pegar no ar uma pequena escultura que, naturalmente, ficaria em mil estilhaços. E. a joga sobre os lençóis puídos da cama. Arranca o tecido que ainda cobre seu corpo. Sua carne, aos poucos, torna-se desvelada, oferecendo aos olhos de E. primeiro as coxas alvas, em seguida a vulva firme e fina, o ventre rijo, os peitos ostentosos com mamilos tesos e, por fim, o colo fissurado com suas saboneteiras convexas. N., agora, está nua em pelos. Aperta-a, sente-a em suas mãos calejadas. A língua de E. percorre todo o corpo de sua amante. Ambas se tocam. Os dedos descem até encontrarem as bocetas úmidas e pulsantes de prazer. A volúpia pastosa afogueai-as. Seus corpos, antes estáveis prisão do prazer, sucumbem as vontades voluptuosas. Os mamilos rijos roçam-se um noutro, potencializando o prazer... num movimento brusco e forte, N. pega E. pela cintura e a vira, trocando as posições. Ergue o quadril dela. Um verdadeiro paraíso de prazeres se descortina em sua frente. Suas mãos percorrem todo o corpo moreno de E.. Aperta a bunda, dá tapas, beija e morde, enquanto ela, a olhá-la nos olhos e exigir-lhe aquilo que lhe pertence, solta alguns grunhidos de prazer, excitando-a ainda mais – havia algo em E. que quando alçava os olhos sobre alguém, esse alguém sentia o corpo estremecer e a alma encher de prazer- . Sua língua toca levemente o clitóris. Aos poucos os movimentos circulares vão se intensificando. A medida que a fricção é maior os sussurros crescem e enchem o quarto de prazeres sonoros. Gemem. N. comprime os seios e em seguida, para avultar a sensação, guinda os mamilos com as pontas dos dedos. E. agora suga as partes dela, em seguida passa a estimular com a boca o anus, voltando ao sexo e quedando, outra vez, no anus... e libam seus corpos e os lençóis. 

Então N. acorda. Lá fora chove a cântaros. Nada canta. Nada soa, a não ser as gotas d’agua tombando no vidro. Vicente acorda. Sente que N. está alterada. Olha em seus olhos imóveis – os dele faíscam- . Quer selar os lábios dela, mas seus lábios tornam-se impenetráveis ao mínimo toque."

Por DeCastro.

12 comentários:

  1. Incrível! As palavras nada sutis deixam o texto mais harmonioso. Dá a sensação de uma história que é ouvida antes mesmo de ser lida.

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    1. Que bom que gostou. Meu objetivo é provocar. Espero que tenha alcançado seu objetivo.

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  2. Oi, que texto é esse? As suas palavras nem um pouco sutis deixam o texto mais incrivel e realista. Parece que estamos vendo a cena em frente de nós, de tão detalhista que achei e ao mesmo tempo, com um toque de misterio. Adorei ler e vou sempre que possivel, passar por aqui para ver seus textos.
    bjus

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    1. Que tal? Gostou, então. Quis tornar o conto tudo aquilo que você já mencionou e, além disso, provocar. Espero que continue acompanhando minha coluna e o blog também, que sempre posta coisas muitíssimos importantes.
      Beijos

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  3. Oi,
    Gostei bastante do conto!
    O autor tem uma escrita realista, momentos marcantes e bastante detalhista.
    Parabéns pelo texto
    beijos

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    1. Olá, obrigado pelas palavras. Gosto de uma escrita realista, que lance luz naquilo que nos, cretinamente, procuramos obscurecer.
      Continue passando por aqui.
      Beijos

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  4. Olá... tudo bem??
    A escrita é bem rebuscada e intensa... quando comecei a lei não esperava nada disso haha... Castro escreve bem, mesmo eu não curtindo muito contos... eu achei a escrita envolvente e até pode hipnotizar a mente do leitor que curte essa temática... parabéns por ter trazido esse texto para nós... Xero!

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    1. Olá, tudo bem sim e com você? Embora não seja o tema de minha predileção, é, ainda, um assunto que por vezes me atrai. Pretendi uma experiencia nova, e vejo que consegui alcançar o objetivo. Muito obrigado pelas palavras e espero que continue passando por aqui.
      Beijos

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  5. Oi!
    A escrita é envolvente, tem um bom toque realista e cativa bastante. Achei interessante você não nomear alguns personagens (costumo fazer isso de vez em quando também, mas deixo sem nome algum, nem inicial como foi seu caso). E o final deu o que pensar! Muito bacana!

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    1. Oi. Que bom que gostou. Quis, aqui, tornar os personagens imparciais, exceto Vicente. Queria que cada leitora conseguisse de ver ali, nas personagens. Espero que continue passando por aqui e acompanhando a coluna.

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  6. Olá Felipe, adorei o texto, parabéns!
    Achei bem intenso e envolvente, já estou aguardando o próximo ;)

    Abraços

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    1. Olá, Raquel. Obrigado por deixar seu registro.Na quinzena que vem tem mais. Passe por aqui.
      Abraços

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