sábado, 30 de abril de 2016

Resenha: Holy Cow - David Duchovny


Sinopse: Elsie Bovary é uma vaca muito feliz em sua bovinidade. Até o dia que resolve sair sorrateiramente do pasto e se vê atraída pela casa da fazenda. Através da janela, observa a família do fazendeiro reunida em volta de um Deus Caixa luminoso – e o que o Deus Caixa revela sobre algo chamado “fazenda industrial” deixa Elsie e tudo o que ela sabia sobre seu mundo de pernas para o ar. A única saída? Fugir para um mundo melhor e mais seguro. Assim, um grupo para lá de heterogêneo é formado: Elsie; Shalom, um porco rabugento que acaba de se converter ao judaísmo; e Tom, um peru tranquilão que não sabe voar, mas que com o bico consegue usar um iPhone como ninguém. Munidos de passaportes falsos e disfarçados de seres humanos, eles fogem da fazenda e é aí que a aventura deles alça voo – literalmente.
Elsie é uma narradora marrenta e espirituosa; Tom dá conselhos psiquiátricos com um sotaque alemão um tanto forçado; e Shalom, sem querer, acaba unindo israelenses e palestinos. As criaturas carismáticas de David Duchovny indicam o caminho para um entendimento e uma aceitação mútuos dos quais esse planeta tanto precisa.

Holy Cow (vaca sagrada) é um livro de categoria infantojuvenil, escrito pelo ator, roteirista, produtor, diretor, escritor, compositor e cantor David Duchovny

Ah, o homem! Ele e a sua tendência inexplicável de usar e principalmente abusar de tudo aquilo que está a sua volta e que for possível. 

"Sim, nós matamos para viver, alguns de nós têm de fazer isso, mas não é o mesmo tipo de matança praticada pelos seres humanos. Não há raiva nem prazer, só necessidade."

Elsie Bovary (ou simplesmente Elsie Q), a nossa humilde narradora, é uma vaca extremamente inteligente, que mora em uma fazenda para que os humanos usufruam do seu leite. Depois de acidentalmente assistir a TV pela janela da casa dos humanos, ela descobre o que o homem faz com as vacas quando elas já não têm mais serventia, e fica horrorizada. Então, dias depois, Elsie volta à janela e conhece a Índia pela TV. Lá, as vacas são sagradas. Incrível! Que sorte a delas! Depois de muito refletir, Elsie tem um estalo e decide traçar um plano de fuga da fazenda. O destino? Bom... A Índia!



E é aí que a operação Índia se inicia. Depois de alguns acontecimentos, Elsie, o porco Shalom e o peru Tom (animais também da fazenda) partem finalmente daquele lugar. E a aventura começa! 

"E pode parar de pôr a culpa pelo aquecimento global em mim e nos meus gases. Eu não tenho carro."

Holy Cow é um livro esteticamente lindo. Apesar do fato de que as folhas são brancas, as ilustrações são lindas e a capa é divina! Ótimo trabalho da ilustradora Natalya Balnova. 

Elsie é amável! Tenho uma forte inclinação por animais, sejam eles personagens literários ou reais, e Elsie conquistou meu coração nas primeiras páginas. Páginas essas, que, aliás, são como uma sequência de tapas na cara do ser humano. O livro, na verdade, começa triste. Elsie conta que a mãe dela sumiu de repente, para um lugar que ela não sabe qual é. Mais tarde, ela descobre a verdade por trás disso. Todos nós sabemos para onde a mãe de Elsie foi: para o prato de alguém. 

"E foi então que parei de ouvir o que ele dizia, porque o que vi ali diante do meus olhos foi tão chocante que tirou meu mundo do eixo."

Muitas das reflexões narradas por Elsie me deixaram angustiada. E isso é bom, muito bom. O motivo? Bem, só pelo fato de perceber que estou longe de ser indiferente a realidade de uma vaca, já me sinto mais humana, capaz de mudar as coisas. Afinal, a mudança começa quando você tem consciência da exploração animal. 



Em momento algum me deixei abalar ou desacreditei dos acontecimentos por se tratar de uma história narrada por um animal. De modo geral, a fábula é engraçada e divertida, mas não podemos deixar a questão central em segundo plano. É preciso refletir sobre o verdadeiro lugar dos animais, pois ninguém possui um único papel durante a vida, refletir sobre a forma ridícula como eles são explorados e a indiferença do ser humano diante disso. 

"Os humanos conseguem ser decentes e compreensivos às vezes. O que me faz achar que ainda há alguma esperança."

O final me decepcionou. Eu esperava outro final, qualquer um que não fosse o que foi. Para mim, as coisas se perderam quando tinham tudo para progredir, e isso foi bastante decepcionante, admito. Fiquei pensativa por dois dias até conseguir escrever a resenha. Mas esta é a verdade. Não posso fugir dela. Contudo, não deixo de indicar a leitura. Com certeza se trata de um assunto que precisa de mais reconhecimento. 

Concluo a resenha de hoje com a seguinte citação: 

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que não estamos contribuindo para o sofrimento deles.”  (Paul McCartney)

4 comentários:

  1. Oi, Thami!
    Eu jurava que esse livro era curto e bem infantil. Me enganei totalmente. Agora ele está na lista de super desejados.
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Luiza!
      Você não é a primeira pessoa a me dizer isso, ainda estou tentando entender o porquê, rs. Sim, você se enganou. Espero que leia logo, então.
      Beijos

      Excluir
  2. Ai, arrasou Thami! Esse livro é um tapa na cara mesmo, mas concordo com você que o final ficou a desejar, eu não esperava aquilo. Enfim, apesar do desfecho da estória, eu adorei demais a leitura.
    A sua resenha está maravilhosa, #comosempre ;)

    Beijinhos, Hel - Leituras & Gatices

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Awn, que linda! Obrigada pelo carinho, Hel.
      Sim, sinto o mesmo. A leitura foi extremamente válida, apesar do final.
      Beijos

      Excluir

Seu comentário é muito importante. Obrigada!

Obs.: Caso você não tenha uma conta no Google e não saiba como comentar, escreva o que deseja na caixa de texto acima e na opção "comentar como" selecione "Nome/URL", preenchendo somente o campo nome.

E-mail para contato: thamirisdondossola@hotmail.com