quarta-feira, 23 de março de 2016

Respeite o meu silêncio


"Seis e vinte e seis da tarde. Segundo dia de outono. Tempo fresco. O sol já não ocupa todo o céu, e a escuridão se prepara para chegar. Lembranças. Depois de uma aula sobre Machado e suas e nossas hipóteses a respeito de Dom Casmurro, eu sento na frente de casa, respiro e penso. Olho nos olhos da Nina, que balança o rabo entendendo e respondendo o meu olhar. Situação descrita.

Eu sou um ser pensante. Aquele que mais pensa, do que diz. Aquele que só fala o que faz. É uma característica minha. Eu sempre fui assim. E por ser assim, nutri essa inclinação pela escrita. Escrevo, pois ao escrever, falo. E aquilo que eu não falo com a voz, eu falo com uma caneta e uma folha. Momentaneamente, essas são as minhas possibilidades, eu as defini. E quando eu decidir que o momento de extravasar ou desafogar chegou, eu vou fazer. Respeite o meu silêncio, da mesma forma com que eu respeito a sua algazarra.

O ar fresco me fez pensar no passado, me fez querer falar do passado e é por isso que estou escrevendo.

Mais do que falar do passado, estive me questionando mentalmente sobre o rumo que a minha vida tomou. As minhas preocupações estão em constante mudança. Há dez anos, eu me preocupava com as bonecas, os brindes da sandália e as voltas no parque. Há cinco anos eu me preocupava com o que estavam pensando a respeito do meu namorado, do meu gosto musical, da minha tendência a gostar de ler, e até mesmo do meu corpo, como se ele não fosse uma preocupação exclusivamente minha e pertencesse ao mundo. Olhem para mim e discutam sobre as minhas pernas finas. Vamos, discutam. O corpo é meu, mas a opinião que prevalece é de vocês, estúpidos, que nem mesmo me conhecem direito.

Hoje, as minhas preocupações são outras. O passado, neste caso, cumpriu bem o seu dever e ficou para trás. Tenho outras responsabilidades. Felizmente aprendi a ponderar e classificar aquilo que realmente merece preocupação. Estou cuidando do meu futuro, como nunca havia feito antes. O futuro parecia tão distante quando eu ainda estava na escola estudando as características de uma célula na aula de biologia. Doce engano! O futuro chegou. É hoje. É agora. Estou cuidando dele, programando, esperando. E isso é assustador! Terrivelmente assustador.

Seis e cinquenta e sete da noite. Já está escuro e gelado, mas há uma lua linda e tímida apontando no céu."

Por Thamiris Dondóssola.

8 comentários:

  1. Oie...
    Adorei a postagem de hoje!
    É realmente assustador como as nossas preocupações mudam com o passar do tempo, né?
    Boa reflexão...
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Diane.
      Sim, extremamente assustador.
      Muito obrigada, que bom que gostou. ❤
      Beijos

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  2. Olá Thami,
    MAis um texto incrível seu, como sempre.
    Adorei seu texto, também sou um ser pensante.
    Gostei muito do que você disse, o futuro é agora mesmo.
    Amei tudo ♥
    Beijos

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    1. Oi, Bru!
      Nhom, muito obrigada sua linda <3
      Beijocas

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  3. É sempre um prazer ler seus textos e ainda fico surpresa por não encontrar suas palavras juntas em um livro. Acho que você ainda vai fazer diferença nesse mundo, com suas opiniões devidas e em prol de um bem maior.

    Beijos

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    1. Ai meu Deus, que coisa mais linda! Muito obrigada pelo carinho, Raí. Espero que suas palavras se tornem realidade. Vou lutar para isso! ♥
      Beijos

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  4. "Respeite o meu silêncio, da mesma forma com que eu respeito a sua algazarra."
    Amei cada parte desse texto, mas a que eu grifei acima resume muita coisa que eu penso!
    Como a Rai disse, é um prazer ler seus textos, continue falando com as palavras escritas <3

    Beijos!

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    1. Ai que linda!
      É muito bom saber que existem pessoas que compartilham da nossa opinião.
      Continuarei. ♥

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