sexta-feira, 25 de março de 2016

Resenha: A Cor Púrpura - Alice Walker


Sinopse: Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1983 e inspiração para a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A Cor Púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra muito atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.


A Cor Púrpura é um livro inesquecível. Você lê, pensa, engole, reflete. A vida pode ser cruel, mas é possível recomeçar.

Celie é uma moça jovem. Depois de ser abusada sexualmente pelo próprio pai, se separa da irmã, que é a única pessoa que gosta dela no mundo, e é oferecida para se casar com um homem que mal conhece. Esse homem, o sinhô, passa a maltratá-la. O motivo? Aos meus olhos, nada justifica suas agressões. Mas Celie não é Shug Avery, o sonho de consumo de sinhô. Shug é uma cantora muito bonita e independente. Para sinhô, Shug é tudo.

Chega um momento, após alguns acontecimentos, em que Shug começa a morar com sinhô e Celie. Está surpreso? Bom, eu também fiquei. Mas essa não foi a primeira e nem a última surpresa que encontrei em A Cor Púrpura. O fato é que Celie (a esposa) e Shug (a amante) tornam-se amigas. E a amizade delas é a porta para que Celie recomece a sua vida. Ou melhor, para que Celie comece a viver.

"Não dissemos nada um ao outro. Mas eu tinha um milhão de perguntas para lhe fazer."

Se Celie aceita tudo o que está acontecendo na sua vida muito calada, é porque se sente vulnerável por ser uma mulher. A única coisa que consegue fazer para se ajudar é escrever cartas para Deus. Depois de descobrir que sua irmã está viva e escreveu muitas cartas para ela (confiscadas por sinhô), Celie passa a escrever cartas para a irmã também. E esse é o formato do livro: uma mistura de cartas entre Deus, Celie e a sua irmã, Nettie.

"Irmã Celie, diz ele, tens tanta fé como o dia tem horas."

Acho que preciso dizer isso, mesmo sendo simples e clichê: eu amo a Celie. Amo, amo, amo. Terminei A Cor Púrpura completamente apaixonada pela construção dessa personagem. Mas aquilo que me fez amá-la enlouquecidamente foi a sua força. Força e coragem para passar por cima de tudo aquilo que a fez mal. Celie tem um coração enorme e puro. É com muita alegria que digo que no decorrer da história, acompanhamos a linda evolução dessa mulher. A Celie que escreve as primeiras cartas não é a mesma Celie que escreve as últimas.

Cena da adaptação cinematográfica de A Cor Púrpura.
Foi em Shug que Celie encontrou aquilo que todos nós temos de preservar, sendo homem ou mulher: personalidade. Shug impulsionou Celie a se impor diante do sofrimento que ela vinha passando. Shug mostrou a Celie o significado do amor. A amizade entre essas duas mulheres foi, sem dúvida alguma, capaz de destruir muralhas. E a situação na qual o afeto se inicia não é nada propícia. In-crí-vel!

"Quanto mais penso, diz ele, mais amor sinto."

Antes de concluir essa resenha, há uma personagem pela qual senti muito afeto também, além de Celie e Shug: Sofia. Quem já leu o livro certamente entenderá o motivo. Para quem não leu, saiba que Sofia tinha personalidade, nunca foi submissa a nenhum homem. Sofreu consequências, é claro. Mas, em pleno século vinte e um, ainda procuramos por justiça no mundo.

A Cor Púrpura é um livro forte. Infelizmente, tudo o que acontece aqui não é nenhuma novidade. Quantas vezes, neste ano, você já leu uma notícia sobre alguma mulher que foi estuprada ou agredida fisicamente? Assim como Celie foi injustiçada, todas nós (como me dói dizer isso) estamos sujeitas a ser. Mas A Cor Púrpura nos mostra que temos o poder, e muito mais que isso, temos o direito de nos impor. Além, é claro, de proporcionar reflexões sobre o machismo, o feminismo e o valor que o ser humano pode ou não possuir. 


6 comentários:

  1. Coisa linda! Eu fico tão feliz que você tenha gostado tanto da leitura, eu também amei e a sua resenha está emocionante! Esse livro é uma denúncia, é lindo ver a evolução das personagens, principalmente da Celie, que é a mais sofrida, mas também é triste ter que ler tudo pelo que ela passou, e é esse sentimento de tristeza e revolta que faz com que nos indignemos. Esse livro é tão essencial que eu acho que deveria ser lido nas escolas, pois, apesar de ter sido escrito há muitos anos, traz temas muito atuais e preocupantes, como você mesma disse, a violência com a mulher, abusos, racismo, enfim. Fico muito feliz por ter escolhido esse livro para leitura desse mês do clube do livro e por ter tocado tantas pessoas por causa dessa escolha.

    PS.: lembrando que terça-feira tem reunião e vamos poder discutir um pouquinho mais essa estória maravilhosa.

    Beijos, Hel - Leituras & Gatices

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    1. Eu fico mais feliz ainda por você ter me convidado para participar do clube do livro, que me proporcionou essa experiência maravilhosa com "A Cor Púrpura". ♥
      Beijos

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  2. Nunca li essa obra, mas sei reconhecer seu valor.
    Acho que às vezes eu digo de livros assim porque a realidade já é cruel o suficiente e é em estórias coloridas que me refúgio.
    Mas sei que não posso viver no mundo da fantasia para sempre.

    Beijos

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    1. Raí, espero que você leia o livro algum dia. Certamente vai adorar.
      Beijos

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  3. Oi Thami!
    Nunca tinha ouvido falar nem do livro e nem do filme!
    Eu n coatumo ler coisas tão pesadas assim, rs. Tem bem mais chances de eu assistir ao filme XD Mas me anima saber sobre as cartas, deve tornar o enredo mais leve. É muito legal msm ver os personagens amadurecendo assim!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Oi, Carol.
      Antes do clube de leitura eu também desconhecia a obra.
      Não é pesado, sabe? É forte! É emocionante! É rico! <3
      Beijocas

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