sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Resenha: A Viuvinha - José de Alencar


Na obra de Jose de Alencar, "A Viuvinha", publicado em 1860, inclui-se entre os chamados romances, urbanos, que retratam os costumes da sociedade carioca do Segundo Reinado. Principal escritor brasileiro do período do Romantismo, José de Alencar publicou vinte romances nos quais procurou mapear o país em todas as suas dimensões, utilizando os recursos do romance urbano, regionalista, indianista e histórico. Jorge e Carolina. Nunca se viu um casal tão apaixonado. Todas as noites, o namoro puro, cheio de encanto e doçura. E afinal o casamento, que deveria durar para sempre. Mas Jorge, sem saber, precisava acertar velhas contas, e a morte o seu preço. A única esperança é que tudo fosse apenas um conto de fadas, onde o amor é tão grande que a morte fica pequena.


A Viuvinha é um romance urbano de José de Alencar. Fiz a leitura integral da obra em um livro “duplo”, pois além de A Viuvinha temos também o texto integral de Cinco Minutos, que já li e em breve vou trazer a resenha para vocês.

Quando o pai de Jorge faleceu, deixou uma boa herança para seu filho. Infelizmente, Jorge não soube administrá-la bem. Após muitos gastos desnecessários em diversões, Jorge encontrou uma moça e passou a amá-la intensamente. Suas atenções voltavam-se somente para ela. Essa moça, Carolina, estava igualmente apaixonada e depois de algum tempo, eles marcaram o casamento. Mas na véspera da cerimônia, um amigo de seu falecido pai, deu uma notícia a Jorge que mudou completamente o rumo do futuro planejado pelo jovem. As coisas, de fato, viraram de cabeça para baixo.

"Amava uma sombra morta; começou a amar uma sombra viva."

A composição dessa história é marcada pela genialidade de José de Alencar. Me culpo por ter adiado tanto essa leitura. De modo geral, minhas impressões foram ótimas. A Viuvinha é composto de poucas páginas, mais especificadamente cinquenta e quatro, na minha edição. É uma leitura muito rápida. Peguei para ler mais ou menos as dez horas da manhã e concluí a leitura antes das onze e meia.

Surpreendi-me bastante com o decorrer dos acontecimentos. José de Alencar conta a história da viuvinha Carolina para alguém e é como se as palavras conversassem com o leitor. É uma leitura extremamente agradável. Além da história, há muitas reflexões sobre o amor, as lágrimas de um homem, o passado, o futuro e a fragilidade feminina. Confesso que fiquei inquieta com o seguinte trecho: 

“Quando um homem chora, minha prima, a dor adquire um quer que seja de suave, uma voluptuosidade inexprimível; sofre-se, mas sente-se quase uma consolação em sofrer. Vós, mulheres, que chorais a todo momento, e cujas lágrimas são apenas um sinal de vossa fraqueza, não conheceis esse sublime requinte da alma que sente um alívio em deixar-se vencer pela dor; não compreendeis como é triste uma lágrima nos olhos de um homem.” 

Não posso deixar de mencionar que não concordo com as palavras do autor se eu fosse analisar de um modo mais amplo. Mas não vou me alongar, esta citação fica como reflexão. 

O que temos em A Viuvinha é uma história de amor que passou pelo sofrimento que a morte pode trazer, a paciência em esperar, a consequência de atitudes impensadas e a dedicação e devoção a um único amor. Mas se o final não fosse do jeito que foi, eu discordaria de tudo o que falei acima. 


9 comentários:

  1. Oi Thami... assim como vc, não concordo com o trecho... rsrsrsrs... ainda não li esta obra! :/

    Livros terapias / Fan page

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  2. Oi Thami, fiquei curiosa, você deixou um suspense no ar, quero saber agora que notícia foi essa que mudou tudo, haha.

    Sobre a citação, quanto machismo, haha, mulheres só choram por fraqueza?
    Mas é no mínimo interessante ver como as mulheres eram vistas na época, eu estou aqui vendo umas marcações que fiz em um livro - para escrever para o ESM ^^ - e também me deparei com umas passagens bem machistas.

    Adorei a resenha e fiquei curiosa demais.

    Beijos!

    Leituras & Gatices

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    1. Oi Helena,
      Espero que você leia, então, rs.
      Obrigada, beijos!

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  3. Olá, Thamiris.
    Eu conheço a história mas não cheguei a ler o livro. Na época da escola, a professora divida a classe em grupos e cada um lia um livro e esse não caiu para meu grupo. Quanto a citação, quanto machismo. Mas acho que naquela época era assim.

    Blog Prefácio

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    1. Oi Sil,
      Mas você pode ler fora da escola, haha. Assim como eu faço. É uma.leitura prazerosa.

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  4. Oi...
    Eu amo esses clássicos!
    Não conhecia muito sobre esse livro, mas, adorei tudo que você falou e com certeza quero ler também.
    Do autor só li "Senhora" que é um dos melhores clássicos que já li.

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  5. Olá, acabei de ler essa obra e precisei pesquisar uma resenha pra poder entender melhor e ver outro ponto de vista kkk acho que vou ler de novo :D

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    1. Oi, Wesley!
      Se você terminou de ler e tem dúvidas acerca do livro, não hesite em lê-lo novamente, caso seja do seu interesse compreendê-lo bem.
      Espero que tenha gostado da resenha!
      Obrigada pela visita.

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