quinta-feira, 25 de junho de 2015

A insubstituível blusa amarela


Eu perdi uma blusa amarela no ano passado. Deixei-a no banheiro da escola e cinco minutos depois, quando me dei conta da falta da blusa, fui buscá-la, mas ela não estava mais lá. Procurei em todos os cantos e nenhum sinal dela. Eu gostava daquela blusa. Gostava tanto, que só procurava usá-la às vezes para não ficar velha rápido demais.

Eu me lembrei desse acontecimento hoje à tarde, um ano depois, enquanto ouvia “yellow” e olhava pela janela da sala da minha casa um passarinho amarelo pousar no fio do poste. Procurei pelas gavetas a blusa amarela que eu tinha comprado para substituir a primeira perdida. Olhei para ela e senti um arrepio em todo o meu corpo. Quantas vezes tentei substituir de alguma forma, algo que eu havia perdido? Aquela blusa, obviamente, não me agradava tanto quanto a perdida, mas aquilo já não fazia diferença nenhuma, não passava de uma lembrança que o tempo depositou em minhas recordações.

Cada um de nós tem um valor em especial. Cada um de nós tem um limite, um objeto e uma ideologia. Possuímos medos, lembranças melancólicas e saudades extravagantes. Cada um de nós já tentou substituir algo que simplesmente, por pura vontade do acaso, não tem substituição. Perder alguém é um exemplo digno. Não é o mesmo que você comprar um celular, perceber um defeito, devolvê-lo a loja e pegar outro. Substituir alguém é um processo doloroso e sem conclusão. Há características parecidas, mas nenhuma, idêntica. Por exemplo, a tentativa de disfarce e o jeito de sorrir são atos comuns, mas cada um possui atributos diferentes, desde o fervor que vem de dentro até a curva que os lábios fazem.

Se eu pudesse voltar atrás e mudar algumas coisas, não mudaria. Eu juro pelo céu azul dessa tarde ensolarada. Eu adoraria voltar atrás e reviver ocorrências, observá-las com mais clareza e descobrir se o meu ponto de vista foi ou não errôneo. Mas, voltar atrás por querer mudar alguma coisa é o mesmo que se arrepender. E eu não me arrependo de nada que fiz, de nada que submergi ou de alguém que perdi. Sim, são casos insubstituíveis, mas não são eternos. Se fossem, eu não os teria deixado escapar. Se fossem, eles não teriam escapado de mim.

Thamiris Dondóssola.

7 comentários:

  1. Olá Tha,
    Seus textos são perfeitos e senti muita falta deles.
    Mas, esse em particular, parece descrever o momento que me encontro, então, muito obrigada!
    Eu concordo contigo, se fossem eternos, eu não teria deixado escapar e se fossem eles não teriam teriam escapado de mim.
    Posso compartilhar no blog?
    Beijos
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi Bru! Claro que pode, na verdade, isso seria maravilhoso. Obrigada pelas palavras de carinho.
      Beijão

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  2. Que lindoo, achei muito bonito, palavras simples, sinceras e profundas que tocam ate a alma kkk, amei mesmo vc faz lindos textos!
    Beijos
    http://onlypoison1.blogspot.com.br/

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  3. Hey, Tha!

    Uau, esse é o seu primeiro texto que leio, e sério, eu amei demais! Os trechos "Quantas vezes tentei substituir de alguma forma, algo que eu havia perdido?" e "Cada um de nós já tentou substituir algo que simplesmente, por pura vontade do acaso, não tem substituição." realmente mexeram bastante comigo, pois é a pura verdade. Muitas vezes tentamos substituir algo que na verdade é impossível. Existem outras novas, mas aquelas que passaram, sempre ficarão em nossas memórias. Parabéns pelo texto.

    Beijos,
    Obcecada Pelos Livros

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