sábado, 6 de setembro de 2014

A Tão Exaustiva Presença do Medo


A gente sente uns medos bobos. Depois que passa, é completamente inofensivo. Ainda lembro-me do teste para a primeira comunhão na catequese, de como eu fiquei nervosa com o momento de tomar a hóstia. Diziam que se ela grudasse no céu da boca, você possuía muitos pecados. Caso queira saber, a minha não grudou. Não tenho tanta certeza de que isso seja verdade. 

Eu, que normalmente não me sinto bem ao ficar sozinha, nunca desejei tanto assim, que essa companhia me deixasse de uma vez. O medo não é um bom companheiro para se passar o tempo. Ele é imprudente e nos faz crer naquilo que não devemos acreditar nem em dois, três ou quatro séculos. Nem em um milhão de anos. O medo me impediu de seguir em frente. 

Eu estou lendo os mesmos livros, ouvindo as mesmas músicas e assistindo um velho, ótimo e único filme. Tudo numa proporção exagerada e, quem sabe, desnecessária. Quem sabe a explicação mais plausível para isso tudo seja o fato de eu não querer me surpreender negativamente. Também chamam isso de medo. Assim como a Terra está há milhões de quilômetros de distância do Sol, as minhas chances de ser feliz na presença contínua dessa covardia pobremente intitulada de “medo” estão muito longe de se concretizar. 

Quando você percebe que grande parte das pessoas que convivem diariamente com você não são o que você pensava que fossem. Quando você passa a sentir, não no sentido literal, um número absurdo de tapas na cara, todos-os-dias-sem-falta. Quando você não possui a mesma ingenuidade de antes para acreditar que tudo pode ficar bem. Então ele se manifesta. 

Sentir medo não é uma opção. Assim como chorar de dor. Se as lágrimas não vazam pelos olhos, elas vazam do lado de dentro. A mente é fraca e não consegue evitá-lo. Escrever pode não mandá-lo embora eternamente, mas por algum tempo, o afasta. E é isso que eu estou fazendo agora. O afastando, para que nesse meio tempo, eu consiga encontrar uma forma de fazê-lo partir para sempre.

Thamiris Dondóssola

10 comentários:

  1. Texto lindo! Amei! :*
    http://cheirode-pipoca.blogspot. com.br/

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  2. Olá, tudo bem?
    Eu amei seu texto, como sempre rsrs! O medo é algo que se deve, sim, ter, todavia, o medo não deve controlar você, você deve ter seus medos e superá-los.
    Abraços!
    http://enjoythelittllethingss.blogspot.com.br/

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  3. O ser humano tende a ter medo de tudo aquilo que é novo, na verdade. E quando a gente passa pela situação imaginamos exatamente assim: poxa, gostei. Pensei que seria ruim.
    Pelo menos sempre acontece isso comigo.

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    1. O novo sempre assusta, ao menos comigo isso acontece. Sim, mas nem sempre podemos dizer "Gostei", é disso que o efeito do medo vem.

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  4. meu, exatamente isso <3 texto perfeito.
    eu sou bem do tipo que escuta as mesmas músicas, vê os mesmos filmes e sente falta do passado.
    tenho aquela sensação que naquele época era tudo melhor, que eu queria viver como antes e acabo me prendendo ainda mais no passado :( esse medo é mesmo um idiota, me deixa paralisada so many times.

    mas se tem razão, escrever ajuda o afastar nem que seja por alguns minutos.

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    1. Obrigada Clarine!

      Acho que cada um de nós carrega um medo em particular que nos faz hesitar sempre.

      Beijão!

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  5. Thamiris,
    Você, definitivamente, tem o dom de tocar nossos corações. Amei seu texto, casa palavra se encaixa perfeitamente e não poderia ser melhor.
    Me enquadro no quesito mesmas músicas, mesmos filmes, mas as outras coisas me incomodam.
    Amei seu texto.
    Beijos
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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    1. Ah Bruna, você não imagina o quanto suas palavras me deixaram feliz! Muito obrigada mesmo ♥

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