domingo, 31 de agosto de 2014

A História de "Ois" e "Obrigadas"



“Oi”. Quando ele a deu o lugar no ônibus, no terceiro dia de aula, ela não conseguiu pensar muito no comportamento que deveria estabelecer. Sentou, “Obrigada”, obviamente achou a situação estrambólica, passou o tempo todo sentindo o coração queimar, até que a sua hora de sair do ônibus chegou. Levantou-se com uma calma malfeita, perguntando-se mentalmente se não haveria nada grudado na sua calça e se ele estava a observando. Certamente Sim.

Aquela situação tornou-se repetitiva e a cada dia, ela sentia um queimor interno mais elaborado, também passou a perceber o ato do avermelhamento de bochechas. Ás vezes, desconfiadamente, ele arriscava um “Oi”. Da parte dela, normalmente saia um “Obrigada”, visivelmente desconfiado, porém muito encorajador. E aquilo foi tomando forma. Foi ganhando nome. Nem o ônibus vazio os impediriam de realizar aquele ritual tão ridículo e tão prazeroso ao mesmo tempo.

Depois de dois meses praticando aquela cena e imaginando, de ambas as partes, se alguma coisa realmente aconteceria, além de estarem nutrindo sentimentos um pelo outro, uma mulher de meia idade levantou-se do banco ao lado do que ele havia cedido para ela e pronunciou as palavras que passariam a ser o lema daquele romance: “Senta logo aí e põe um fim nessa história de ‘ois’ e ‘obrigadas’”. Não permitindo que ele dissesse qualquer coisa, a mulher se levantou e o ônibus praticamente aplaudiu o momento em que ele finalmente sentou ao lado dela.

Sentados, entreolharam-se. Súbita e automaticamente o som que saiu da boca dele foi o mesmo, acompanhado de um sorriso extremamente tímido e desajeitado. “Oi”. Sem deixar espaço para uma respiração mais profunda, ela respondeu de prontidão: “Obrigada”. Então sorriram. Dessa vez, era quase um riso. Algumas poucas palavras foram pronunciadas. A situação passou a se repetir. 

Então, dois meses depois, com uma evolução satisfatória, com diálogos empolgados e demonstrações infinitas de afeto, aquelas faces tímidas que perambulavam aquele ônibus dois meses atrás já não eram mais as mesmas. O pedido foi feito e ela aceitou. A conversa reconheceu o seu lugar e deu a vez ao primeiro beijo, este ainda tímido por conta de inexperiência. 

Enquanto ela lê um livro e cita momentos engraçados a ele, que por sua vez está cozinhando o prato preferido dos dois, o som de um latido e uma risada constante tomam conta daquele ambiente famíliar que construíram há tanto tempo. Quem pode culpar a timidez quando esta mesma reserva um futuro inesperado? E aprofundando ainda mais: Quem pode culpá-la sabendo que ela pode ser tomada de assalto por frequentes e simples adjetivos ou saudações?

Thamiris Dondóssola.

24 comentários:

  1. Acho interessante como um romance se desenvolve quando existe timidez no meio de tudo. No meu caso, por exemplo, se não fosse por uma brincadeira de um amigo, eu nunca teria dito uma palavra há uma certa pessoa e nunca teríamos uma história inesperada. Lindo o seu texto.

    www.laoliphant.com.br

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    1. Certamente existem muitos tímidos apaixonados e felizes por aí, rs. Fico feliz por você Débora.
      Muito obrigada! Beijão.

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  2. Que liiindo texto, gostei muito.
    Uma bonita história de amor que pode começar de forma simples.
    petalasdeliberdade.blogspot.com

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  3. Oi Thamiris, adorei o texto! Sério, você já pensou em publicar um livro de crônicas e contos? Deveria! Eu compro :D.
    Eu adorei o tema da história, a timidez é realmente um grande problema para muitas pessoas, mas mesmo assim torna as coisas as vezes tão lindas, assim como no fim da sua história!

    Beijão ;*
    http://www.livrosesonhos.com/

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    1. Oi Maiara, você não imagina o quanto seu comentário me deixou feliz. É algo que me faz pensar bastante. Muitíssimo obrigada pelo carinho!
      Beijão

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  4. Oii, concordo com a Maiara! Eu compro :3 muito bom seu texto!

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  5. Adorei seu texto, e você manda sempre bem,eu adorooooooo livros de crônicas e contos, você se daria bem se escrevesse um MESMO...Vou te indicar o livro de crônicas da autora Yohana Sanfer, Da boca pra dentro, é maravilhoso, vc poderá se inspirar mais.
    bjs

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    1. Oi Simeia,
      Muito obrigada pelo comentário, me alegrou bastante. Vou procurar o livro para ler!
      Beijos

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  6. Nossa! Que lindooo, amei o texto. Super fofo. Quem nunca teve um amor de ônibus né?! Uma pena que meus amores sempre descem em pontos diferentes de mim :( hsuahsuah

    Bj
    http://www.tendadoslivros.com.br/

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  7. ai Thamiris, que texto lindo!
    bem minha cara <3 afinal, só falta eu me enfiar num buraco de tão tímida haha

    beijão

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  8. Não sei desenvolver uma crítica profunda, mas o texto é muito bonitinho, me tirou um sorriso. Parabéns.

    http://codinomelizz.blogspot.com.br/

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  9. Oii Thamiris, tudo bem?
    Gostei muito do texto, eu concordo que você deve publicar um livro de contos e crônicas, eu acho fascinante a capacidade de escrever textos como esse, eu, por exemplo, não tenho a miníma aptidão para escrever crônicas ^^
    Abraços!
    http://enjoythelittllethingss.blogspot.com.br/

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    1. Olá,
      Muito obrigada... Quem sabe um dia eu realizo esse sonho, rs.

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  10. Olá Thamiris,
    Lindo seu texto. Tive um amigo que conheceu a namorada assim, eles sempre pegavam o mesmo ônibus e eles ficavam se olhando sem nunca falar nada até que um dia ele lhe deu um poema, estão juntos até hoje - mesmo ela tendo se mudado para outro estado.
    Acho que o amor ver sob todas as formas.
    Eu, se fosse você, escreveria um livro com seus contos.
    Beijos!

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    1. Oi Bruna, minha nossa... que demais! Olha só o que o amor pode fazer, né? rs.
      Ah meu Deus! Muito obrigada... É o que eu mais quero, mas não é tão simples quanto parece :/
      Beijão

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  11. Oi Thamiris!
    Aaaawn, que fofura de texto! Queria tê-lo escrito! hahaha <3
    Só assim p/ as coisas acontecerem né? XD
    Que nem a colega ali em cima disse, vc devia escrever um livro ;)
    Beijos
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Oi Carol,
      Obrigada pelo carinho e pela visita!
      Beijão

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  12. Andei lendo seus textos e puxa, você brinca com as palavras. Apoio a ideia de publicá-los, viu? haueh beijos!

    Aliás, estou seguindo seu blog. ♥

    Depois do Para Sempre | Facebook

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    1. Ah, muito muito muito obrigada mesmo! rs
      Beijão ♥

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