terça-feira, 15 de julho de 2014

Um café?


"Olharíamos um para o outro. Sorriríamos. Você me convidaria para entrar, sem entender o porquê de eu estar batendo na sua porta às cinco da tarde. “Entra, eu pego as sete.” Eu entraria, observaria cada detalhe da sua casa desarruma e... Minha nossa! Estava tudo devidamente no seu lugar. Você me questionaria sobre o que eu iria querer para beber. Eu diria em tom de ironia: “Você, seria perfeito.” Você acharia graça e disfarçaria sua vontade de se doar para mim. “Um café?” Ótimo... Tudo que eu queria era dormir. “Não, por favor, água.” Você caminharia até a cozinha e me traria um copo cheio de vontade e um pouco de água. Eu beberia um gole com meus olhos direcionados ao seu olhar que desviava quando se sentia intimidado. Engraçado. Eu na minha vez, sendo descaradamente descarada e você por sua vez, sendo timidamente tímido. Definitivamente, estava tudo do avesso. Aquilo não combinava com a gente, mas a gente gostava. Ficaríamos sem saber o que falar por no mínimo uns dez minutos e depois, como bobos que não sabiam o que queriam, falaríamos de decoração. Eu me assustaria com a sua habilidade e você se assustaria com a minha falta de jeito. Você levantaria, andaria de um lado para o outro com a cabeça fervendo, sem coragem de perguntar o porquê de eu estar ali. Eu leria seu pensamento e diria que estava ali porque tinha vontade de vê-lo. “Mas como você descobriu que eu moro aqui?” “Não subestime a capacidade de uma mulher louca de paixão.” Você se dirigiria a mim, sentaria ao meu lado e começaria a acariciar meu rosto. “Você é louca, mas... Mas eu gosto de você assim.” Eu por minha vez, sentiria um enorme aperto no peito e sem palavras, fecharia meus olhos e esperaria o que eu havia esperado durante algum bom tempo. Você me beijaria e depois me abraçaria. “Mas isso não está certo.” Você diria. “Não, não está. Mas do que valeria a vida se nós não pudéssemos arriscar?” Você, com minhas palavras se confortaria. Eu levantaria e diria: “Não me esqueça a partir de hoje.” “Ainda não sou capaz de fazer o impossível.” Eu riria. Você apressado observaria o relógio e diria que tem de sair. Mas você estava errado, quem tinha de sair era eu. E eu saí. Fui embora, com medo, sorrindo feito uma criança que acabou de ganhar um doce... E me identificaria, pois eu havia ganhado você."
Thamiris Dondóssola

10 comentários:

  1. Menina, você realmente escreve muito bem! Sério, estou virando sua fã! Amei o texto!

    Um beijão! =)

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    1. Dani, minha nossa! Muito obrigada mesmo ♥
      Beijos.

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  2. Ah, essa felicidade da paixão... O início dos relacionamentos é especial por isso, pelo sabor da descoberta. Estou casada já, há muito tempo passei pela fase da conquista. Agora são outras emoções, outros sentimentos - ainda muito bons, mas bem diferentes. Gostei do texto. ;)
    Beijinhos!
    Giulia - Prazer, me chamo Livro

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    1. Oi Giulia, desejo felicidades a você!
      Obrigada, beijos.

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  3. Oi Thamiris,
    Como sempre, um ótimo texto. Não há palavras para explicar a emoção que senti ao ler seu texto.
    Amei cada palavra e me senti muito presente nele.
    Beijos
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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    1. Oi Bruna, fico feliz que tenha se identificado com o texto.
      Obrigada, beijos!

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  4. Gente, que lindooooo!!!Me emocionei aqui, você escreve com o coração menina, continua, vai em frente que você faria um ótimo livro de contos <3
    bjs

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    1. Oi Simeia,
      Agradeço suas palavras, elas tocaram o eu coração! ♥
      Beijos

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  5. Adorei o texto. Diferente de vários que já li. Parabéns pela criatividade.
    http://coisasoupalavras.blogspot.com

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