quinta-feira, 31 de julho de 2014

O Tom do Amor

"Sempre que eu penso que poderia ser diferente... Não consigo. É impossível ser melhor. Algumas vezes uma pitada de tristeza faz bem. Faz a felicidade se tornar mais saborosa. Ainda lembro-me do jeans e da blusa branca que eu vestia. Sentada na mesa daquele café, eu estava esperando ele pela segunda vez. Por um instante um pensamento tomou conta de mim. Murmurei as seguintes palavras: “E pela segunda vez, ele não vem”. Acho que o murmúrio saiu dos padrões e tornou-se alto demais, pois o olhar que a garçonete me lançou não foi dos mais confiáveis. Senti minhas bochechas queimarem. “Deve me achar maluca”, pensei. Talvez você se pergunte por que uma mulher espera para um encontro, pela segunda vez, um homem em uma cafeteria, sendo que a primeira aconteceu sem sucesso. Talvez nem tenha acontecido no sentido literal. Isso acontece normalmente, quando o homem mora em outro estado e saí de suas terras para me ver. Ao menos a teoria passou a ser essa. Tamborilei os dedos na mesa de madeira e vi um ar gelado entrar pela porta quando um cliente chegou. Não era ele. Ele não viria. Mais uma vez. Após um período quase interminável de decepções, eu aprendi a lidar com elas. Foi quando olhei pela porta, só para ter certeza de que ele não viria mesmo, que ele veio. Aí está um erro: Achar que uma coisa dará errada novamente, só porque a outra coisa também deu errada. É a mesma lógica que aquele autor usou com aquela frase de rosas e espinhos, não é difícil. Talvez ele tenha sorrido, eu não sei. As lágrimas tomaram conta do meu rosto e o único fio de consciência que eu tive foi para sentir o seu perfume enquanto ele me abraçava. Aquele abraço que eu nunca tinha sentido antes. Aquele abraço foi o melhor do mundo. Assim que retornei a consciência, ele falou baixinho: “Desculpe”. Confesso que naquele momento, eu esperava qualquer palavra, menos um pedido de desculpas. “Por quê?” “Por ter feito você esperar tanto” “Você está aqui agora. Isso não tem mais importância”. E dessa vez a minha voz saiu no tom que eu desejava, alto e alegre, para quem quisesse ouvir. A garçonete me lançou um olhar de reprovação, mas eu não liguei. Puxei-o para a rua, para o sol daquele fim de tarde de domingo, para finalmente, podermos ser felizes."   
Thamiris Dondóssola

8 comentários:

  1. Que texto lindo!
    Você escreve muito bem, amei.
    Beeeijos,
    http://cookierobsten.blogspot.com.br/

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  2. Oi Thamiris, tudo bem?
    Mais um texto lindo, e sobre um assunto interessante. Nós nunca devemos mesmo achar que uma coisa não vai dar certo só porque falhamos na primeira tentativa. Devemos persistir e acreditar que cada vez será diferente.
    Lendo seu texto, eu consegui visualizar todo um filme em minha cabeça, uma cafeteria, uma mulher que espera, e um encontro que finalmente acontece. Amei!

    Beijos :*

    http://www.livrosesonhos.com/

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    1. Olá Maiara, tudo bem e você?
      Muito obrigada querida, fico muito feliz que tenha gostado do texto e sentido o que eu quis passar.
      Beijos! ♥

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  3. Que lindo Thamiris! Gostei do tema, foi diferente.
    Realmente, as decepções nos fazem apreciar mais as coisas boas que acontecem com a gnt ;)
    Adorei a conclusão *-*
    Beijos
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Oi Carol,
      Que bom que gostou. E é isso mesmo!
      Beijos

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  4. Thamiris,
    Seus textos são perfeitos, mas esse me fez ver que ainda há esperança pra mim.
    Adorei seu texto, como sempre rs.
    Beijos
    http://mileumdiasparaler.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada Bruna. Não deixe de perder a fé em você!
      Beijos

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